Com acordo Brasil-UE, Pérsio Landim aponta virada estratégica no agronegócio
A entrada em vigor provisória do novo acordo comercial entre o Brasil e a União Europeia, prevista para maio, marca um ponto de virada para o agronegócio nacional. Mais do que ampliar mercados, o pacto estabelece um novo ambiente competitivo, baseado em critérios rigorosos como rastreabilidade, sustentabilidade e transparência.
O cenário internacional tem evoluído para um modelo em que exigências regulatórias caminham lado a lado com as preferências do consumidor. Nesse contexto, a capacidade de comprovar práticas responsáveis ao longo de toda a cadeia produtiva passa a ser determinante para a permanência no mercado europeu.
Durante encontro promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), especialistas destacaram que o acordo surge em meio a uma reconfiguração das relações comerciais globais. A crescente exigência dos consumidores europeus coloca a imagem do agro brasileiro no centro da competitividade, equiparando reputação à eficiência produtiva.
Segurança jurídica e adaptação serão decisivas
Para o advogado Pérsio Landim, especialista em agroadvocacia, o momento exige não apenas adequações técnicas, mas também uma atenção redobrada à segurança jurídica nas operações.
“Estamos diante de uma mudança estrutural. O produtor rural e as empresas do agro precisarão estar preparados para atender não só exigências produtivas, mas também regulatórias e legais cada vez mais rigorosas. A rastreabilidade e a comprovação de origem deixam de ser diferenciais e passam a ser obrigações contratuais”, destaca.
Segundo Landim, o acordo também amplia a necessidade de governança e organização documental dentro das propriedades e empresas.
“É fundamental que o setor invista em compliance, certificações e mecanismos de controle. A ausência dessas práticas pode resultar em barreiras comerciais, sanções e até perda de mercados estratégicos”, alerta.
Imagem e credibilidade no centro da competitividade
A avaliação predominante no setor é de que há espaço para fortalecer a confiança nos produtos brasileiros, principalmente por meio de investimentos em certificações, rastreabilidade e mecanismos de verificação de origem.
Nos últimos anos, o agro brasileiro enfrentou questionamentos relacionados a temas ambientais, o que reforça a necessidade de uma estratégia mais estruturada de comunicação e posicionamento internacional.
Nesse novo cenário, três pilares passam a orientar o setor: rastreabilidade, confiabilidade e sustentabilidade. A transparência nas cadeias produtivas e a adoção de práticas alinhadas às exigências ambientais deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos para acesso ao mercado europeu.
Reposicionamento estratégico do agro
Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o momento exige uma mudança de postura. O desafio, segundo ele, é consolidar o Brasil não apenas como fornecedor de commodities, mas como uma marca global forte e confiável.
Na avaliação de Pérsio Landim, esse movimento é inevitável e estratégico:
“O agro brasileiro tem potencial para liderar esse novo modelo global, mas isso depende de organização, responsabilidade ambiental e segurança jurídica. Quem se antecipar a essas exigências terá vantagem competitiva significativa”, afirma.
A nova conjuntura aponta para um reposicionamento do agronegócio nacional, no qual a integração entre produção, sustentabilidade, comunicação e conformidade legal será decisiva para garantir espaço em mercados cada vez mais exigentes e regulados.










