Por Band
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2 de maio de 2026
A Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, encerra sua 31ª edição nesta sexta-feira (1º) com um balanço de R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios. O montante representa uma redução de 22% em comparação ao desempenho registrado no ano anterior. Segundo a organização do evento, os números consolidados refletem a movimentação nos setores de máquinas agrícolas, sistemas de irrigação e estruturas de armazenagem. Mesmo com a retração financeira, a feira mantém sua relevância de mercado ao registrar um público de 197 mil visitantes ao longo dos cinco dias de programação em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O fluxo de pessoas é semelhante ao verificado na edição passada, reafirmando o evento como a maior vitrine do setor no país. No último dia, feriado de 1º de maio, a organização antecipou a abertura dos portões para as 7h30 para comportar a alta demanda de produtores e profissionais da área. Contexto econômico e retração no setor Os resultados apresentados na Agrishow 2026 acompanham uma tendência de desaceleração já observada pela indústria. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), houve uma queda de 19,9% nas vendas de máquinas e implementos agrícolas no mercado interno durante o primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2025. Para Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, o cenário atual é influenciado por fatores macroeconômicos. O executivo aponta que a combinação de altas taxas de juros, a variação cambial e o preço desfavorável das commodities no mercado internacional impacta diretamente o poder de investimento do produtor rural. Apesar do ciclo de baixa, as lideranças do setor demonstram confiança na recuperação a longo prazo. João Marchesan, presidente da Agrishow, destaca a resiliência dos agricultores e fabricantes brasileiros. Marchesan afirma que, embora o mercado enfrente condições adversas há três anos, os investimentos em tecnologia para a agricultura tropical continuam. "E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, frisa ele.