“Nem todos os juízes têm expertise e coragem; são apenas carreiristas”

MidiaNews • 29 de dezembro de 2025

O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça, enumerou os desafios da Justiça no Estado, como o enfrentamento ao crime organizado, tanto na eleição de 2026, como na vida diária do cidadão.


Professor, ele atua na formação de novos juízes e tem experiência como promotor de Justiça Criminal. Mas não deixa também de fazer a própria autocrítica do Poder Judiciário. O desembargador fez uma série de apontamentos ao Ministério Público e até de parte dos juízes do Estado.

 

"Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital", disse em entrevista ao MidiaNews

 

O magistrado, que é vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) e corregedor eleitoral, apontou que a criminalidade está enraizada na atividade econômica, o que lhe dá sustentação, além do tráfico. 

 

“Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, o tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de drogas”, disse sobre a infiltração do crime em negócios formais.

 

"O desafio chama-se facções criminosas e financiamentos para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Temos que impedir candidaturas financiadas pelo crime organizado", acrescentou sobre desafios das eleições.

 

Ainda na entrevista, o desembargador falou sobre o afastamento de colegas desembargadores por suposta venda de sentenças, tráfico de drogas e da descriminalização da cannabis.


MidiaNews - Como analisa a atuação da nossa justiça criminal como um todo em Mato Grosso? 

 

Marcos Machado – Estamos num processo de evolução. Temos dificuldades de toda a ordem, inclusive de entendimentos, mas estamos numa crescente positiva. O que sempre destaco negativamente, e isso é um problema nacional, é a existência de duas polícias. Não vejo isso como uma atividade eficaz. Há uma disputa, inclusive confrontos, entre policiais civis e militares. 

 

Não vejo a militarização como uma atividade que se aproxima do sistema de justiça, embora defenda e reconheça a importância da atuação da polícia nas ruas, nas operações, nos confrontos, sobretudo contra a violência. Mas essa coordenação, sobretudo hierárquica da Polícia Militar, é um grande prejuízo. 

 

Imagina, você tem um tenente, um capitão, um tenente-coronel... Veja, essa estrutura é uma estrutura cara e com muitos mandantes, muitos chefes, digamos assim. E a nossa Constituição reserva para a Polícia Civil atividade investigatória. Veja como isso é um contrassenso. 

 

Nós temos hoje uma legislação que não é simples. Ela oferece uma série de direitos e coloca a vítima quase num lugar inexistente. Quando a vítima é o principal elemento. E você vê dificuldades imensas da vítima hoje ser atendida e bem atendida pelo Ministério Público, que deveria ser o grande advogado da vítima, mas o Ministério Público se burocratizou.

 

O Ministério Público cresceu muito internamente, é uma das instituições mais bem aparelhadas, com integrantes de altíssima qualidade técnica, moral e com atribuições constitucionais legais que poderiam fazer a transformação social. Mas, a meu ver, diminuiu, perdeu o espaço. Por falta de vocação de alguns, por interesse material de outros, cumprem contratos, digamos, obrigacionais, não se doam, não se dedicam. E isso vai fragilizando o sistema.

 

MidiaNews - Acha que é preciso uma mudança no Judiciário?


Marcos Machado – Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital.

 

A atuação virtual, do sistema virtual e eletrônico, transformou o processo em números. Quando sabemos que atrás do processo tem vidas, tem direitos, tem sentimentos, tem interesses, tem dores, transforma o sistema realmente em algo muito complexo. 

 

Tem pessoas que se doam, se dedicam, tem um espírito cristão e uma uma tendência cidadã ou um perfil que envolve a responsabilidade individual e social em favor da sociedade e as coisas vão acontecendo. 

 

Nós temos pontos positivos, mas temos negativos. Agora, o que me assusta é que a criminalidade está sempre um passo à frente. E a gente buscando conter, atualizar, dialogar, mas a grande transformação, eu diria, precisa partir da Constituição. Precisamos ter um aparelhamento mais simples e mais obediente, mais sistematizado, mais disciplinado, como hoje o crime organizado é. Não sabemos quem é a autoridade hierarquicamente que determina e respeita. O juiz precisa ser respeitado, o policial precisa ser respeitado. 

 

MidiaNews - Em sua visão, o nosso sistema penal está ultrapassado e precisa de mudanças? O que fazer para impedir que presos continuem a ordenar crimes, mesmo dentro do nosso sistema penitenciário?

 

Marcos Machado - O sistema penitenciário ou prisional, é algo que precisa ser estudado comparativamente. A nossa legislação de execução penal, chamada LEP, precisa ser melhorada, aperfeiçoada, urgentemente. Ela já foi, já sofreu alterações. Mas eu acredito que algumas alterações são absolutamente prejudiciais ao bom andamento da execução penal. 

 

Nós temos três regimes, um deles não existe na prática, que é o semiaberto. Nós precisamos entender que a legislação precisa mudar. Quando não é a pena de prisão, regime fechado, temos que já prever uma pena direta, restritiva de direitos, pena pecuniária.

 

Então, o sistema prisional paga uma conta que, às vezes, não é dele. Porque a legislação cria um processo penal, precisava ser melhorado.

 

Mas vamos falar do sistema prisional. É preciso muita alteração. Há um relatório feito por um juiz, recentemente, que mostra a degradação de alguns serviços prisionais, que assustam, em Mato Grosso. Superlotação, falta de fornecimento de itens de higiene, alimentação, direitos, mas ao mesmo tempo temos atuação de líderes de dentro da unidade prisional, inclusive com uso de celular. 


Há crítica ao tratamento para líderes de facção criminosa que não poderiam ser daquela forma, teriam que estar em regimes diferenciados, teriam que estar reclusos e isolados.

 

Nós temos situações como, por exemplo, a visita íntima, que para muitos é uma uma desordem, um desequilíbrio moral. Ele está preso e está lá praticando sexo. O consumo de droga existe dentro do sistema prisional.

 

Nós tínhamos que ter a humildade de identificar os pontos fracos, não querer insistir naquilo que a gente vê que não evolui. É o chamado reinventar a roda. Eu defendo que visitemos modelos no mundo, experiências inclusive dentro de Estados brasileiros, para pouco a pouco melhorarmos.

 

Porque é impressionante como as ordens para matar, para roubar, para sequestrar, para traficar continuam saindo de dentro das unidades prisionais.

 

MidiaNews - O senhor é adepto da ideia de que precisamos de leis mais duras, como defende o governador Mauro Mendes, para combater a violência, a impunidade e o crime organizado?

 

Marcos Machado - O que precisamos é mudar alguns apenamentos. Você concebe que pode matar uma pessoa e se for condenada a homicídio, pode ser condenado a seis anos de prisão, mas como é menos de oito anos, já sai direto para o regime semiaberto? Você concebe isso? Tira a vida de uma pessoa e é condenado a seis anos por homicídio simples. 

 

A matança que temos em Mato Grosso já exigiria uma alteração da legislação nacional. Estamos numa verdadeira guerra civil e estamos com o apenamento dessa natureza. 

 

O legislador estabeleceu algumas proibições dizendo que não se pode conceder liberdade provisória para tráfico. O Supremo vem e diz, olha, não pode, isso é inconstitucional, mas como? O constituinte diz que não pode e o Poder Judiciário no controle de constitucionalidades, diz que pode. Então quer dizer que a nossa Constituição, o constituinte, o que ele fala não tem valor?

 

A partir do momento que você flexibiliza, relativiza o tráfico como um crime comum, aumenta o poder econômico que compensa. Um grama de cocaína custa, depende do lugar, de R$ 60 a R$ 100. Faz a conta em gramas, quanto custa um quilo e multiplica. São cargas de R$ 20 milhões, R$30 milhões, R$10 milhões, R$ 500 mil. 

 

Essas são as apreensões que a gente tem em Mato Grosso a todo momento. Imagina isso aqui, sem imposto, sem previdência, sem direitos trabalhistas. Então, o tráfico de drogas que oferece um alto poder econômico e um empoderamento, inclusive para financiamento.


Eu estava lendo uma reportagem sobre Porto de Galinhas. Fui lá há uns 10 anos, 8 anos. É a lei do silêncio, os comerciantes não falam mais nada. Por quê? Estão atemorizados. Se falar, você morre. Então, as pessoas estão se mudando, estão entregando seus comércios, porque as organizações criminosas estão explorando. 

 

Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de droga. São negócios, em tese lícitos, que operam com empregos, com recolhimento de tributos.

 

Eu acho que deveríamos ter uma atuação parlamentar mais forte. Sinceramente, mais forte. Todo mundo reclama do excesso do Supremo Tribunal Federal. Você ouve a todo momento. Eu como juiz ouço isso. Não posso ficar aqui tácito. 

 

Mas a Constituição deixa claro que o Senado Federal é órgão regulador do sistema em relação ao Supremo Tribunal. O que está fazendo o Senado Federal em relação a isso? Fica essa divisão, essa dualidade. Só se discute posição de esquerda e de direita. Posição ideológica. Nós estamos aqui ainda discutindo eleições passadas.

 

MidiaNews - O senhor defende uma reforma no nosso Código de Processo Penal? Em quais pontos? 


Marcos Machado – O Código de Processo Penal é de 1941 e vem sofrendo alterações ao longo dos anos. Agora, por fim, aprovaram o projeto de lei que estabeleceu a necessidade de uma higidez maior em relação à audiência de custódia e à prisão preventiva, que tinha sido de alguma forma relativizada em alterações anteriores. 

 

A reformulação existe há algum tempo, vem se aperfeiçoando, mas em alguns momentos retrocedeu. Isso foi um grande engano, eu mesmo passei por esse engano. Quando o ministro Sérgio Moro, atual senador, assumiu o Ministério da Justiça e apresentou um pacote anticrime, falei: que bom, ele com a experiência que tem, certamente o prestígio que tem, que havia, ninguém negará isso, vamos resolver muitos problemas. A lei foi mal apresentada, sofreu inúmeras emendas e são normas desastrosas, dúbias, que piorou o que já existia. 

 

O que precisamos efetivamente é que a Câmara ou o Senado, ouça juízes, promotores, delegados de polícia, advogados, que conhcem a realidade. O senador Jayme Campos apresentou um projeto que visa criminalizar o homicídio decorrente do tráfico de droga. Eu nunca vi tanta demora, tanta dificuldade técnico legislativo, de entendimentos, passa por consultores, passa por assessores, vai para comissão, aprova, muda o relator e agora está na Câmara.

 

Enquanto isso, as organizações, o crime, está avançando. As organizações criminosas não deixam a testemunha chegar na frente de um juiz, elas matam antes. Elas fazem as pessoas mudarem de cidade, amedrontam. Não conseguimos desvendar crimes, porque o que impera é a imposição das facções criminosas. Matam, afugentam e nós aqui assistindo discussões técnico-legislativas por cinco anos. 

 

Um dos auxiliares que tenho no Tribunal de Justiça, casado há 25 anos, tinha um enteado. O enteado, infelizmente, jovem, se envolve no tráfico de drogas. Foi duas vezes preso, na última vez, a organização criminosa a qual ele recolheu a droga para vender, cobrou R$ 30 mil. A polícia prendeu a droga e ele foi preso. E disseram: você vai pagar a droga. Se não pagar, vai morrer. Ele desesperado, comunica à mãe, uma senhora que vendia marmita, esposa desse meu auxiliar. Nunca me disse nada e fiquei sabendo depois do acontecido. E ela assume a dívida. 


Ela é trabalhadora, vende marmita. Passado mais ou menos 60 dias, 90 dias de cobrança, uma pessoa da organização criminosa mandou mensagem para ela: sabemos que a senhora produz marmita, precisamos de 30 marmitas em tal local aqui no Sucuri. Ela recebe o Pix. Eles pagam as trinta marmitas, ela vai no final do dia com as trinta marmitas num carro emprestado ao Sucuri. Chega num local determinado, em tese onde teria obras, era uma emboscada. Eles esfaqueiam a mulher durante a noite toda, arrancam os olhos com ela viva, a lançam como um animal e escrevem no capô do carro que "a dívida está paga". No dia seguinte aquele desespero, a polícia é muito eficaz, as câmeras localizaram a placa do carro passando em tal hora, identificaram o celular onde estava, desvendaram o crime em horas. 

 

Até onde nós vamos com uma situação dessa? Olha a crueldade, a covardia por conta de um produto ilícito que foi apreendido pelo Estado.

 

MidiaNews - O senhor é a favor da descriminalização das drogas? 

 

Marcos Machado – Sou a favor da legalização da cannabis. Eu concluí um trabalho de doutorado. Fiquei praticamente cinco anos na orientação de uma socióloga, professora Denise Bontempo, da Universidade de Brasília, UnB. Por conta própria, visitei três países no primeiro momento. Uruguai, Colômbia e Portugal.

 

No segundo momento, fui à Bolívia, aos Estados Unidos e cheguei à conclusão que nós precisamos observar alguns países que já estão à frente do Brasil em relação à cannabis e colocar dentro do nível do álcool, uma relação com o álcool. Tabaco, álcool, cafeína dentro dessa mesma categoria. Legalizar com alta tributação, com controle. 


Sujeito que fuma maconha, bebe e não dirige. Não pode fazer isso dentro de escola, em lugares públicos, como já tem acontecido em outros países, que a meu ver não pode. Virou como uma comparação com o tabaco. E tirar da atuação do tráfico em relação a cannabis. 

 

MidiaNews - Hoje, temos mais conhecimento, tecnologias e avanços. O ser humano está indo para a barbárie com os feminicídios. O que está acontecendo com a nossa sociedade? 

 

Marcos Machado – Vou te responder e aqui não vai nenhuma defesa religiosa. Não vou aqui me colocar como nenhum ativista. mas vou dizer o seguinte: falta de Deus.

 

Não é possível que nós admitamos um comportamento tão hostil, tão agressivo como você bem colocou. A violência sempre existiu, mas a crueldade, a covardia, está muito acentuada. As pessoas hoje perderam aquele sentimento de misericórdia, de condolência.

 

Eu pedi para um assessor retirar de alguns processos que estão sob minha relatoria ou na Câmara que atuo, crimes filmados pelas organizações criminosas, o chamado “salve”. A gente ouve isso e acha que não existe. Existe, estão filmados e estão nos processos. Eu peguei e falei: você pega os processos que tem vídeos, faz um PDF, que eu vou apresentar para os juízes que estão fazendo formação, para que entendam o que vão ver em audiências e se prepararem. 

 

Primeiro filme que passei, um jovem foi levado aqui em Lucas para o mato, ele vendia droga fora da facção. E começaram a matá-lo com um facão, só que o facão era cego, não era afiado. O facão batia no pescoço dele, ia cortando, mas em pedaços. E esse cara foi sangrando e gritando. Olha, um sofrimento terrível, terrível.

 

O que aconteceu com o juiz em formação? Tinha uma moça que saiu vomitando. A outra saiu correndo da sala, pediu para sair, a outra pediu pra desligar o vídeo. Os juízes que estavam para assumir esses casos não conseguiram. 


Nós, juízes criminais, estamos vendo isso a todo momento. Agora não é todo juiz que consegue ver essa cena, que mantém-se na jurisdição criminal. Enquanto isso, somos alvos de críticas a todo momento, de pressão, tem que produzir, tem que responder, tem que atender o advogado na hora que o advogado quer. Nós somos seres humanos também, o que estamos passando, nós juízes criminais, as pessoas não têm a mínima noção. 

 

As pessoas quanto mais distantes de Deus, são mais hostis, mais violentas, mais desarmoniosas, mais conflituosas. Eu venho de uma geração que tínhamos ensino religioso, tínhamos uma orientação bíblica desde criança.

 

Eu comecei na Justiça em 1988 como estudante de direito. Tenho 18 anos de Ministério Público, de advogado. Quase 15 do tribunal, nunca vi tanta crueldade na minha vida. Em 35 anos? Eu nunca vi tanta crueldade. Nunca.

 

MidiaNews - Houve o caso de Sinop do Presídio Ferrugem, com o juiz Marcos Faleiros sendo ameaçado e pressionado pelo próprio sistema penal do Estado. Qual sua avaliação do senhor desse episódio? 

 

Marcos Machado - Em relação ao juiz, até conversei com ele para entender o que havia acontecido. E isso está sendo objeto de apuração, inclusive há relatórios. Há versões e esse fato precisa ser esclarecido e não me atreveria a opinar sem conhecer a miúde. O que posso dizer dentro de uma leitura daquilo que foi publicado, daquilo que foi por ele relatado, que essa apuração sofreu uma reação por parte de policiais penais. 

 

O que não é algo incomum, extraordinário. Eu estava colocando isso até para um grupo de juízes, que não podemos ficar com receio nem do sistema, ou seja, de maus policiais, maus agentes públicos, nem do grupo de criminosos, que se nós fizermos isso, o cidadão, então nem se fala. Ele vai estar recluso na sua própria casa. 


O que vamos cumprir são as regras do jogo, a legislação. Nós queremos juízes que sejam corretos. Mas não juízes que não decidem corretamente, se omitem ou sejam injustos, fazem decisões que são injustas. Esse juiz tem que ter cuidado, porque pode vir a reação mesmo. 

 

Nós temos hoje promotores ameaçados, temos um e outro atentado de juiz. São situações pontuais. Temos outras situações muito claras em países que o juiz que resistiu naturalmente exercendo sua função, sofreu repressão, porque tem organizações criminosas que faz o Estado paralelo e quando há estado paralelo o Estado oficial não é reconhecido. 

 

Infelizmente, a gente precisa dizer a verdade. Nós não conseguimos combater com legalidade quem age contra nós com violência, em absoluta ilegalidade. Eu digo que se a regra do jogo for dar tiro em juiz, temos que devolver com tiro. Não tem como, porque senão quem morre são juízes. 

 

Então, é preciso identificar a potencialidade lesiva, a gravidade das ameaças para agir. E não ficar esperando. E eu disse a ele, falei: você precisa apurar isso com rigor, não ter dúvida do que aconteceu, porque uma coisa é atuar na legalidade, nas regras, outra coisa é você sofrer atentado. 

 

MidiaNews - Nós tivemos os desembargadores Sebastião de Mores Filho e João Ferreira Filho, alvos de Processo Administrativo Disciplinar e afastados de seus cargos, por um suposto esquema de venda de sentença. Esse caso parece ter provocado uma pressão dentro do Tribunal, é isso mesmo? 

 

Marcos Machado - Isso na verdade são fatos excepcionais. Todos lamentamos, porque isso recai negativamente sobre a imagem, o conceito, a confiabilidade, mas é preciso separar a atuação. A história de cada um e reservar o espaço que é apuração por parte do Conselho Nacional de Justiça. Assegurar a todos os magistrados afastados, o direito de defesa, que é sagrado, é constitucional, é algo que você está sujeito.

 

Todos sentem, claro que sim. Internamente, dentro do sistema, mas a vida continua. As pessoas vão e vêm. As pessoas são importantes dentro da história, dentro do momento, dentro de uma trajetória. Agora o volume de trabalho, a responsabilidade que todos temos e, sobretudo, as nossas atribuições não nos permite que o retrovisor seja maior que o parabrisa. 

 

O que temos e precisamos ter é o seguinte: cada um responde pelo seu CPF, cada um tem a sua obrigação, a sua responsabilidade, daquilo que fez, daquilo que não fez e precisa se explicar. Agora, nós, demais, temos também as nossas obrigações, nossas responsabilidades e a vida tem que seguir adiante. 

 

MidiaNews - Há provas contundentes sobre a suposta venda de sentença contra os desembargadores, pelas informações que vieram a público, após a morte do advogado Roberto Zampieri. O desembargador Sebastião já se aposentou por idade. Mas o senhor concorda que eles devem ser aposentados compulsoriamente?  

 

Marcos Machado - Aposentadoria compulsória é um instituto que vem sendo questionado há muito tempo. Há muito tempo. Alguns acham que é o verdadeiro prêmio. Outros defendem que o juiz tem que ter garantias justamente porque ele tem que ser um independente. Eu, quando promotor de justiça, passei por uma situação na carreira vendo um promotor de justiça aposentado compulsoriamente. Eu não me conformava com isso. Eu entendi que ele tinha que ser processado e condenado. 

 

Eu acho que precisa aperfeiçoar, Eu já ouvi no passado de um juiz desonesto, dizendo: "Olha, se me criarem muito caso eu vou realmente fazer o que acho que deve, se quiser, me aposenta, vou estar recebendo o mesmo valor". Com deboche. Achei aquilo o fim da picada, não é possível eu ouvir um negócio desses. Essa segurança para quem pratica desonestidade, precisa ser revista.

 

Eu acho que os afastamentos muitas vezes são absolutamente injustos, inadequados, porque a pessoa afastada perde a possibilidade de se defender adequadamente e ela já é pré-julgada, porque a partir do momento que ela é afastada já há um julgamento de que ele é condenado, é culpado. Então isso aí para o juiz é até, penso eu, inconveniente. Vou voltar com que estatura? Com que respeitabilidade? Eu acho que é uma pena antecipada, inclusive. 


MidiaNews - O senhor é vice-presidente e corregedor do TRE de Mato Grosso e vai estar à frente das eleições de 2026. Quais são os maiores desafios da Justiça Eleitoral para a eleição do ano que vem?

 

Marcos Machado – Eu não tenho dúvida do domínio, do controle, da precisão que a equipe de servidores e gestores do TRE já vem fazendo há alguns anos. Nós, desembargadores e juízes eleitos, somos passageiros lá.

 

O maior desafio que temos, a principal meta e a ação da Corregedoria é a biometria. O cadastro biométrico dos eleitores. Estamos no Estado todo com cerca de 90% da biometria dos eleitores. E precisamos buscar pelo menos mais 2% a 3% para alcançarmos o topo. Há situações adversas pela geografia, pela extensão territorial, pela característica agrária do Estado.

 

Temos populações indígenas distantes, assentamentos. Alguns que não querem, que não vão procurar o TRE, não aceitam, não querem nem saber da Justiça Eleitoral, não querem saber de participar nas eleições. Nós temos os presos que estão com direitos políticos suspensos. Então, a biometria é o grande objetivo nosso para termos eleições transparentes e resultados legítimos.

 

Outro desafio chama-se facções criminosas. Financiamentos que começaram já nas eleições passadas de organizações para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.


Esse é o grande desafio que tenho dito internamente no Tribunal, tenho buscado cooperação técnica para que possamos ter realmente o conhecimento do que está acontecendo e fazer as devidas impugnações e impedir candidaturas que têm lastro financiado pelo crime organizado.

 

MidiaNews – O que fazer neste caso para se ter o princípio eleitoral do equilíbrio na disputa? O que fazer para não ter esse desequilíbrio com a interferência das organizações criminosas? 

 

Marcos Machado – Primeiro, identificar quem são os candidatos que estão sendo apoiados por esses grupos, que não são um só, em todo Mato Grosso. Fazer uma atuação permanente de investigação. E isso já está acontecendo e, no momento certo, preterir candidaturas que vão influenciar resultados eleitorais.

 

Esse trabalho tem que ser contínuo, célere para que essas pessoas não sejam diplomadas, porque depois dá mais trabalho. Temos informes, temos suspeitas, mas tem que ser feito um trabalho. Tenho colocado isso inclusive para a presidência do Tribunal, da necessidade de se constituir uma equipe com cooperação, sobretudo das polícias. Não só a Polícia Federal, que tem pontos de atuação no Estado.

 

Nós temos que contar com o serviço de informação da Polícia Militar e contar sobretudo com a atuação da Polícia Civil, que tem delegados em todo o Estado de Mato Grosso.

 

Outro desafio que acredito que o TRE deve enfrentar é o trabalho de combater as fake news e a desinformação, que já vimos que é uma situação que ficou no processo eleitoral e não tem mais como voltar.

 

MidiaNews – O que o TRE tem feito nessa questão de combater fake news e desinformação no processo eleitoral?  

 

Marcos Machado – Eu acho que o pior já passou. O país, o Estado já passou por eleições e conheceu esses fenômenos. Hoje, temos uma equipe de comunicação no TRE altamente capacitada e experimentada em relação a isso. Já temos decisões dos tribunais regionais e também do Tribunal do Superior Eleitoral, o TSE, a respeito do tema. Sabemos o que pode e o que não pode, o que deve ser feito de forma preventiva e a legislação eleitoral.

 

Nós temos que contar com a cooperação, porque o processo eleitoral não é só do TRE. Depende de toda atuação político-partidária, não só de candidatos, mas de partidos. E tem a expectativa de que haja um comportamento ético por parte de candidatos e partidos.

 

Agora, se não houver, a legislação está aí para ser aplicada. Eu, particularmente, quando tenho oportunidade de presidir e ter voz no Tribunal, sempre deixo claro a importância do diálogo, da formação de entendimentos convergentes e rapidez nas decisões. Porque não podemos deixar situações da eleição passada entrar no processo do ano que vem.


MidiaNews - Quais situações da eleição passada precisam de decisão, por exemplo?

 

Desembargador Marcos Machado – Até hoje tem questionamento a respeito de cassação. Temos impugnação, por exemplo, de vereadores ainda sendo julgada, de prefeitos ainda, que são da eleição passada. Temos ainda processos criminais, então isso tudo não pode abalar o primeiro semestre que é preparatório para as eleições, temos que julgar isso. Temos que em março e abril acabar com as eleições municipais, ou seja, não ter processo para que nos dediquemos às eleições gerais.

 

MidiaNews - Como a Justiça eleitoral vai permanecer firme em suas decisões diante de um Estado onde tem parlamentares, que questionam os resultados e até a legitimidade do processo eleitoral?

 

Marcos Machado - A opinião é livre, é constitucional, é direito de expressão desde que você não ofenda, não incorra em calúnia, injúria e difamação. O pensar é livre, é só lutar até que você tenha opinião, até porque você identifica se está certo ou está errado.

 

Uma vez me perguntaram o que eu achava das urnas eletrônicas e naturalmente da segurança do sistema tecnológico do tribunal. Eu fui promotor, fui advogado numa edição municipal e fui promotor de outras duas. Quando a urna era de lona, quando a contagem era a cédula anotada na caneta azul em mesas cuja apuração começava sem ter hora para terminar. 

 

Não existe nada mais precário e inseguro, absolutamente impreciso, e aí cito o exemplo até dos mapas. Quantos erros eram anotados no final? Quantas fraudes foram colocadas, quantos gritos, quantas situações de pressão ali na localidade? Quantas urnas saíram e não chegaram?

 

O sujeito vir depois de 30 anos de evolução que já passamos, de algo que é perfeitamente auditável, e dizer: isso aí é ilegítimo, isso aqui deveria ter sido assim. Olha, sinceramente, não me permito discutir isso. 

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve retornar a Mato Grosso nesse mês de junho para entregar pelo menos duas obras no interior do Estado. Assim como nas últimas visitas, a capital não deve ser incluída no roteiro institucional e deverá ser visitada somente quando o petista estiver em campanha para reeleição. A Casa Civil deve formalizar a data da visita ainda nesta segunda-feira (15), no entanto, o que já está definido é que a agenda deve ser realizada dentro do mês de junho. Lula deve vir inaugurar o primeiro trecho da Ferrogrão, ferrovia planejada de 933 km que ligará Sinop (MT) a Miritituba (PA), projetada para escoar a produção de grãos do Centro-Oeste até os portos do Arco Norte, entre Rondonópolis e Dom Aquino. Além disso, participa da solenidade de entrega de mil casas do Programa Minha Casa, Minha Vida, em Primavera do Leste (234 km). A agenda do presidente estava sendo articulada desde dezembro do ano passado, como informado pelo . À época, dirigentes do PT buscavam trazer Lula ainda no primeiro trimestre de 2026, diante do volume de obras federais em fase de conclusão no Estado. No entanto, a visita foi empurrada para o fim do primeiro trimestre. Desde o início do terceiro mandato, o presidente Lula já esteve 4 vezes em Mato Grosso, em agendas que envolveram desde entregas de obras até compromissos ambientais e indígenas. A primeira passagem de Lula por Mato Grosso ocorreu em 3 de março de 2023, em Rondonópolis (212 km de Cuiabá), quando participou da entrega de 1.440 unidades habitacionais do Residencial Celina Bezerra, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. A agenda marcou a retomada de investimentos federais em habitação popular logo no início do mandato. Já em 31 de julho de 2024, o presidente esteve em Várzea Grande, onde participou da cerimônia de inauguração das obras de modernização dos aeroportos de Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta, realizada no Aeroporto Internacional Marechal Rondon. No mesmo dia, também foi feita a entrega de 1.000 casas do Residencial Colinas Douradas. Na ocasião, Lula ainda cumpriu agenda ambiental ao sobrevoar áreas do Pantanal para acompanhar a situação dos incêndios. A terceira visita aconteceu em 4 de abril de 2025, no município de São José do Xingu, onde o presidente foi recebido pelo cacique Raoni Metuktire, na Terra Indígena Capoto-Jarina, durante encontro com lideranças indígenas. A agenda teve como foco a defesa dos direitos dos povos originários e a demarcação de terras indígenas. A passagem mais recente ocorreu em 24 de maio de 2025, em Campo Verde (131 km de Cuiabá), no assentamento Santo Antônio da Fartura. Na ocasião, Lula participou do lançamento do Programa Solo Vivo, voltado à recuperação de pastagens degradadas e ao incentivo à agricultura sustentável, com foco em pequenos produtores e no desenvolvimento rural.
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Fernando Pereira Lisboa, 40, morador de Sinop (500 km ao norte de Cuiabá), morreu durante um ataque de drone russo na região de Zaporizhzhya, no sudeste da Ucrânia. Ele estava no país lutando ao lado do exército ucraniano desde março deste ano, mesmo sem formação militar. O ataque aconteceu na sexta-feira (12), mas a confirmação da morte só chegou no sábado (13). Em entrevista ao repórter Kelvin Ramirez, do site Só Notícias, a irmã de Fernando contou que ele estava em missão com outros dois soldados quando foram atacados por drones russos. "Acabei de saber que meu irmão por parte de pai foi lutar na guerra da Ucrânia e foi abatido, morreu lutando por uma causa em que ele acreditava. Jamais imaginei o sangue do meu sangue lutando numa guerra. Você cumpriu sua missão, vai com Deus", disse ela nas redes sociais. Morador do bairro Maria Carolina, a vítima era solteira e sempre demonstrou interesse por assuntos militares. Desde novembro do ano passado, tinha intenção de viajar para a Ucrânia, mas só concretizou o fato em março deste ano. "Ele sempre foi apaixonado por guerra e queria lutar por uma nação que precisasse dele", disse a irmã ao Só Notícias. A viagem foi custeada pelo governo ucraniano, que também será responsável por cremar o corpo da vítima. Diante das dificuldades de logística e translado, Fernando será sepultado na Ucrânia. Família ainda alertou para golpes envolvendo 'vakinhas online', afirmando que não há nenhuma campanha. País em guerra A guerra na Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou uma invasão em larga escala do território ucraniano. O conflito teve origem em tensões que já vinham se acumulando há anos, especialmente após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e os confrontos no leste da Ucrânia entre forças ucranianas e grupos separatistas apoiados por Moscou. A invasão provocou milhares de mortes, destruição de cidades e uma das maiores crises de refugiados da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Ao longo do conflito, a Ucrânia recebeu apoio militar, financeiro e humanitário de países ocidentais, enquanto a Rússia manteve o controle de partes do território ucraniano e intensificou ataques com mísseis e drones. A guerra gerou impactos globais, afetando os mercados de energia, alimentos e a segurança internacional. Apesar de diversas tentativas de negociação, os combates continuam em várias regiões, sem uma solução definitiva para o conflito até o momento.
Por RepórterMT 15 de junho de 2026
Uma imagem mostra a extensão dos danos causados na Ferrari após o acidente registrado na tarde deste domingo (14), em Cuiabá. O superesportivo acabou atingido por um Tesla que perdeu o controle na grama durante o desfile de abertura da 5ª etapa da Fórmula Truck, no Parque Novo Mato Grosso. A foto revela que o impacto destruiu parte da carenagem do veículo de luxo. A força da batida arrancou pedaços da estrutura de fibra e deixou a roda exposta, evidenciando o prejuízo financeiro elevado para a recuperação do automóvel importado. Testemunhas que acompanhavam o evento relataram que o condutor do Tesla derrapou na área de escape antes de rodar na pista e atingir o veículo italiano. Apesar da gravidade dos estragos materiais visíveis na imagem, a colisão não resultou em ferimentos nos ocupantes de nenhum dos automóveis. O Tesla também ficou danificado na lateral após a batida. O veículo danificado foi removido do circuito principal por equipes de apoio logo após o encerramento da apresentação. A organização do evento e os proprietários não emitiram declarações oficiais a respeito dos custos estimados para o reparo dos componentes afetados.
Por RapórterMT 15 de junho de 2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), comentou com o RepórterMT, durante a etapa de estreia da Fórmula Truck neste domingo (14), as declarações do senador Wellington Fagundes (PL). Abilio classificou como um "equívoco" a postura do aliado que é pré-candidato ao Governo, e que havia sugerido que, se dependesse dele, paralisaria os aportes no Parque Novo Mato Grosso para priorizar investimentos em habitação popular e infraestrutura. Abilio argumentou que o esporte, o lazer e o turismo de grandes eventos não competem com as áreas essenciais da administração pública, mas funcionam como ferramentas de captação de recursos para financiá-las. "Eu acho que foi um equívoco, eu acredito que não é esse o caminho. Nós temos que continuar investindo em habitação, continuar investindo em infraestrutura, mas não podemos deixar de investir no turismo, no esporte, nos grandes eventos. São coisas distintas", declarou o prefeito. Para justificar a manutenção dos aportes financeiros no autódromo internacional da Capital, Abilio utilizou uma tese de contabilidade pública. Segundo ele, complexos multiuso voltados ao entretenimento geram receita imediata para o comércio e para os cofres públicos por meio do turismo de massa, enquanto a infraestrutura tradicional apenas consome o orçamento existente. "Grandes parques como esse são princípios ativos de receita para o Estado e para o município, enquanto a infraestrutura é um passivo, é uma forma da gente aplicar os recursos. Se a gente deixar de lado o esporte, o lazer e o entretenimento, a gente deixa de captar recursos para fazer investimento em habitação", concluiu Abilio, destacando o impacto do evento atual, que lotou a rede hoteleira e os restaurantes da cidade neste fim de semana. O Parque Novo Mato Grosso é o maior parque multieventos da América Latina e está em fase de finalização. O local já vem recebendo uma série de eventos de destaque, como a Stock Car, a Fórmula Truck e shows de artistas como Alok e Gusttavo Lima, além de feiras e festivais que movimentam a economia local.
Por TSE 14 de junho de 2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma comissão permanente destinada a sistematizar iniciativas relacionadas ao uso de inteligência artificial (IA) no âmbito da Justiça Eleitoral (JE). O foco das ações será o combate à desinformação e à disseminação de notícias falsas, especialmente no contexto das eleições. A medida foi formalizada pela Portaria TSE nº 297/2026, assinada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, e publicada em 9 de junho de 2026. A comissão terá como principal atribuição elaborar e monitorar um plano para o uso de ferramentas de IA nas esferas tanto administrativa, quanto jurisdicional da JE. Entre suas competências, o Colegiado deverá propor diretrizes para garantir o uso seguro, ético, responsável e transparente da inteligência artificial. Também caberá ao grupo definir critérios para a contratação, o desenvolvimento e a utilização dessas tecnologias, além de estabelecer padrões de governança, integração e compartilhamento de soluções entre os órgãos da Justiça Eleitoral. Parceria Outro destaque é a criação de um Catálogo Nacional de Soluções de IA, que reunirá ferramentas desenvolvidas, contratadas ou utilizadas pela Justiça Eleitoral em todo o país. A comissão também acompanhará acordos com universidades e entidades que possuam especialistas em perícia de ilícitos digitais e inteligência artificial no âmbito das eleições. A portaria prevê ainda que a comissão poderá contar com a colaboração de especialistas externos e realizar reuniões, preferencialmente, de forma virtual. A participação dos integrantes será considerada serviço público relevante, sem remuneração. Coordenada por Juliana Greimel Bernardes, da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED/TSE), a comissão reúne representantes de diversas áreas do TSE e dos tribunais regionais eleitorais (TREs).
Por Persio Oliveira 14 de junho de 2026
A possibilidade de o futuro sistema BRT (Bus Rapid Transit) de Cuiabá e Várzea Grande ser operado sem licitação pelas atuais concessionárias do transporte coletivo provocou divergências entre deputados estaduais. Enquanto Lúdio Cabral (PT) defende a realização de um novo processo licitatório para a operação do modal, o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (MDB), avalia que ainda não existe definição sobre o formato que será adotado pelo governo. A discussão ganhou força após o Jornal A Gazeta trazer à tona a informação de que um substitutivo integral ao projeto que institui o Plano de Mobilidade da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá abria a possibilidade de que a operação do BRT seja absorvida pelo contrato vigente do transporte intermunicipal, desde que haja autorização dos entes envolvidos e demonstração de vantajosidade para o poder público. À imprensa, Botelho afirmou que o debate ainda carece de definições técnicas e destacou que o BRT funcionará como um sistema complementar ao transporte existente. “Onde está esse projeto? O problema é a questão da viabilidade do sistema de transporte. O sistema do BRT será um sistema auxiliar; evidentemente, estão buscando a melhor possibilidade. E, hoje, para você trabalhar com empresas que detêm concessão, seria complicado. Seria inviável só uma empresa operar um trecho porque ela teria participação parcial no preço das passagens. Mas, acho que não tem essa definição”, declarou. Já o deputado Lúdio voltou a criticar a proposta e afirmou que a operação do novo modal deveria obrigatoriamente passar por licitação. Segundo ele, o texto pode beneficiar empresas que já atuam no sistema de transporte da região metropolitana. “Nós debatemos esse plano numa audiência pública e depois apresentei emenda para garantir gratuidade a deficientes, idosos e outros usuários não contemplados no intermunicipal. Esse projeto recebeu parecer contrário e depois apareceu um substitutivo com margem para que a operação do BRT seja feita por quem opera na capital”, disse. O petista lembrou que, antes das eleições municipais de 2024, uma cláusula contratual previa que a concessionária do transporte intermunicipal assumisse a operação do BRT. Após questionamentos, o governo anulou a previsão e anunciou que a exploração do modal ocorreria por meio de licitação. “Não sei qual empresa seria beneficiada, mas espero que, quando essa novela da obra terminar, seja feita uma licitação para que uma nova empresa opere o BRT. Não podemos aprovar uma lei que permita que quem já opera assuma automaticamente. É legal, mas ineficiente. Objeto novo precisa ser licitado”, defendeu. Presidente da Comissão de Infraestrutura e Obras da Assembleia, o deputado Valmir Moretto (Republicanos) evitou entrar no mérito jurídico da proposta e afirmou que a análise cabe à Procuradoria-Geral do Estado (PGE). “O governo tem a PGE para orientar medidas adequadas. Se o governo entende que é possível a modalidade, está assegurada na procuradoria. A comissão não analisou”, afirmou. Moretto também argumentou que a realização de licitação, por si só, não garante melhor prestação de serviço à população. “Nós temos que pensar na população, mas não quer dizer que licitação garante o melhor para a população. Temos que entender quem vai servir melhor e com qualidade adequada. Licitação tem muito, e muita empresa dá problema. Se houver necessidade, o parlamento discute. Não precisa ser minha comissão. A comissão está por dentro de cada ação”, completou. O substitutivo em tramitação também prevê que os 56 ônibus elétricos adquiridos pelo Estado para o BRT possam ser incorporados à operação do sistema. O modal, cuja implantação foi anunciada em 2023 com previsão inicial de conclusão em dois anos, acumula atrasos e sucessivas mudanças no cronograma.
Por RepórterMT 13 de junho de 2026
O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado Federal, Mauro Mendes (União Brasil), declarou nessa sexta-feira (12) que a palavra final sobre uma eventual composição com a deputada estadual Janaina Riva (MDB) e seu partido caberá exclusivamente ao governador Otávio Pivetta (Republicanos). Pré-candidata ao Senado e cotada para ocupar a vaga de vice na chapa de Pivetta, Janaina teria dado sinal verde para o início das tratativas com o grupo governista. No entanto, Mendes prega cautela e lembra o histórico recente de distanciamento da parlamentar. " A Janaina, ela se afastou do grupo há um tempo atrás, tomou o caminho da oposição e eu vejo que nos últimos tempos ela tem mudado com isso. Portanto, essa decisão, não é do Mauro Mendes, ela é do grupo político, é principalmente do governador Otávio Pivetta, a quem cabe e está liderando esse processo de formação de chapa, de definições da majoritária ", afirmou Mendes. Apesar de reconhecer a mudança de postura da deputada, o ex-governador enfatizou que nenhuma definição foi tomada até o momento e que o processo será discutido de forma coletiva mais adiante. Questionado sobre a possibilidade de compor uma "dobradinha" com Janaína Riva na disputa pelas duas vagas ao Senado, Mendes evitou fechar portas, mas ponderou que o diálogo formal ainda não foi iniciado pelas lideranças. "Chances, elas podem sempre existir, pode ser de 0,5% a 100%, mas, por enquanto, não começaram as conversas, então não existe nada definido, nada declarado", concluiu. "Difícil, mas não impossível" Em maio, Janaina comentou a possibilidade de compor a chapa do governador Otaviano Pivetta. Na época, ela definiu a aliança como “difícil, mas não impossível”. Janaina Riva tem rechaçado a tese de figurar como vice, mantendo o discurso de que seu único projeto majoritário é a disputa por uma cadeira no Senado Federal. Além disso, há uma forte resistência de alas do PL à inclusão da emedebista na chapa governista, como por exemplo nomes com o deputado federal José Medeiros, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini e o deputado estadual Gilberto Cattani, todos do PL. O cenário de aproximação ganha contornos singulares devido à conexão dela como o senador Wellington Fagundes (PL), nome da legenda para a disputa ao Governo do Estado. Janaina é nora de Wellington. A articulação é considerada complexa nos bastidores devido ao posicionamento de oposição que a parlamentar adotou em relação ao grupo de Mauro Mendes, principal fiador da reeleição de Pivetta. 
Por CNN 13 de junho de 2026
O fundador e CEO da SpaceX, Elon Musk, torna-se oficialmente hoje o primeiro trilionário do mundo. Ninguém mais jamais chegou nem perto desse patrimônio líquido. Na verdade, é preciso somar as estimativas de riqueza das quatro pessoas mais ricas do mundo — os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, o fundador da Oracle, Larry Ellison, e o fundador da Amazon, Jeff Bezos — para sequer chegar perto do valor que Musk representa atualmente. Sua fortuna individual também é maior do que as economias da maioria dos países do planeta, incluindo Taiwan (US$ 977 bilhões), Irlanda (US$ 779 bilhões), Suécia (US$ 760 bilhões) e Cingapura (US$ 660 bilhões), além da África do Sul, terra natal de Musk (US$ 480 bilhões). Um trilhão de dólares é um milhão de milhões de dólares, o que é basicamente impossível de gastar em uma vida inteira. 
Por RepórterMT 13 de junho de 2026
As obras de implantação da infraestrutura do Sistema BRT (Bus Rapid Transit) e a construção do novo viaduto do Complexo Leblon vão provocar alterações e bloqueios no trânsito de Cuiabá a partir deste sábado (13). A intervenção mais crítica ocorre na Avenida Miguel Sutil, que terá o tráfego totalmente interrompido durante o sábado e o domingo (14), no trecho localizado em frente à Todimo Lar Center, para o lançamento das vigas da nova estrutura elevada. Paralelamente, o consórcio responsável executa a recuperação do asfalto da Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), no trecho compreendido entre a Defensoria Pública e o Viaduto da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), o que resultará em interdições parciais. Na próxima semana, o cronograma prevê frentes de trabalho atuando na pista em direção ao CPA, com serviços em frente ao posto Petrobras e ao Jerônimo Burger, além da implantação de meios-fios e sarjetas. O avanço dos trabalhos também atinge outras regiões centrais da Capital. Entre o Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e a Rua Voluntários da Pátria, as equipes iniciam a fase de sinalização da pista. O mesmo procedimento, acompanhado da reforma de calçadas, é realizado até a Avenida Generoso Ponce. Já no trecho entre as avenidas Dom Bosco e XV de Novembro, as pistas começam a receber a capa asfáltica especial para o sistema de transporte coletivo. Em frente ao Shopping Popular, a execução se concentra na pavimentação de calçadas e sinalização vertical e horizontal.