Pérsio Landim alerta para os desafios da privacidade digital na era da hiperconectividade
O avanço da transformação digital ampliou o acesso a serviços online, redes sociais e aplicativos, mas também trouxe novos desafios relacionados à proteção de dados pessoais e à segurança da informação. Apesar da crescente preocupação dos usuários com a privacidade no ambiente virtual, pesquisas acadêmicas apontam que, na prática, muitos adotam comportamentos que aumentam sua exposição a riscos cibernéticos.
Estudos sobre o chamado “paradoxo da privacidade” demonstram que existe uma divergência entre aquilo que os usuários afirmam sobre a importância da proteção de seus dados e as ações efetivamente realizadas no dia a dia. Entre os hábitos mais comuns estão a aceitação automática de termos de uso, a falta de leitura das políticas de privacidade e a baixa frequência na atualização de senhas.
De acordo com o advogado Pérsio Landim, especialista em temas ligados ao direito digital e proteção de dados, a conscientização ainda é um dos principais desafios para a efetividade das normas de proteção da privacidade. “A legislação brasileira avançou significativamente com o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados, mas a segurança digital também depende da postura dos usuários. É fundamental compreender como as informações pessoais são coletadas, armazenadas e utilizadas pelas plataformas digitais”, destaca.
Levantamentos realizados em instituições acadêmicas e pesquisas nacionais indicam que a maioria dos usuários afirma se preocupar com a segurança de seus dados. Entretanto, parcela significativa admite não ler contratos digitais antes de aceitar suas condições ou manter as mesmas credenciais de acesso por longos períodos, práticas que podem facilitar fraudes, vazamentos de informações e ataques cibernéticos.
Especialistas apontam que fatores culturais, comportamentais e até emocionais influenciam essa contradição. A busca por praticidade, conectividade e interação social frequentemente se sobrepõe às preocupações com privacidade, levando usuários a compartilhar dados pessoais sem avaliar integralmente os riscos envolvidos.
Nesse cenário, a educação digital surge como uma ferramenta essencial para fortalecer a cultura de proteção de dados. A combinação entre legislação, transparência das empresas e conscientização dos cidadãos é considerada estratégica para reduzir vulnerabilidades e promover um ambiente digital mais seguro e responsável.
Como orientação prática, o advogado Pérsio Landim ressalta que a proteção de dados pessoais deve ser encarada como uma responsabilidade contínua do usuário. Entre as medidas recomendadas estão a utilização de senhas fortes e exclusivas para cada serviço, a ativação da autenticação em dois fatores, a revisão periódica das configurações de privacidade em aplicativos e redes sociais, a leitura dos termos de uso e políticas de tratamento de dados, além da atualização constante de dispositivos e sistemas operacionais.
Segundo Landim, a adoção dessas práticas reduz significativamente a superfície de exposição a ataques cibernéticos, fraudes e acessos não autorizados, contribuindo para uma postura preventiva alinhada aos princípios de segurança da informação e às diretrizes estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).










