Pérsio Landim: guerra no Oriente Médio pode pressionar juros e agro
O prolongamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã acende um sinal de alerta para a economia global. A possibilidade de escalada militar e bloqueios estratégicos em rotas de energia pode pressionar custos, elevar taxas de juros ao redor do mundo e afetar diretamente o agronegócio, avalia o advogado Pérsio Landim.
Mais cedo, um comandante da Guarda Revolucionária do Irã declarou que o país teria fechado o Estreito de Ormuz para a passagem de navios e que embarcações que tentarem cruzar a região seriam incendiadas. O estreito é considerado uma das rotas mais estratégicas do planeta, responsável pelo escoamento de grande parte do petróleo mundial.
Juros mais altos e reflexos no Brasil
Embora o Brasil não sofra impacto imediato, o cenário pode mudar caso o conflito se prolongue.
“No curto prazo, o Brasil pode até se beneficiar de alguma valorização das commodities. Mas, se a guerra se estender, o efeito global de inflação e juros altos atinge todos os mercados, inclusive o brasileiro”, pontua.
O advogado destaca que juros elevados no exterior fortalecem o dólar, encarecem o crédito e reduzem investimentos produtivos.
“Com crédito mais caro e menor crescimento global, há redução da demanda por exportações. Isso atinge diretamente países produtores de commodities, como o Brasil.”
Agro na linha de risco
O agronegócio brasileiro, altamente dependente de insumos importados como fertilizantes, pode sentir os efeitos de uma crise prolongada.
“O agro depende de diesel, fertilizantes e transporte marítimo. Se o petróleo dispara e o frete internacional sobe, o custo de produção aumenta. Isso reduz margens e pode afetar planejamento de safra”, alerta.
Além disso, a instabilidade pode comprometer cadeias logísticas globais.
“Não é apenas o preço do petróleo. É seguro marítimo, risco geopolítico, volatilidade cambial. Tudo isso impacta o custo final da produção.”
Economia global sob pressão
Para Landim, o principal risco está na duração do conflito.
“Conflitos curtos tendem a gerar volatilidade momentânea. Mas guerras prolongadas criam incerteza estrutural, retraem investimentos e pressionam políticas monetárias. Se o Estreito de Ormuz realmente for fechado, estamos falando de um choque energético de grandes proporções.”
Ele conclui que o Brasil precisa acompanhar o cenário com cautela.
“Não há impacto imediato grave no país, mas, se o conflito persistir, os reflexos virão. Em um mundo globalizado, energia, juros e comércio estão interligados. O agro e a economia brasileira não estão isolados dessa realidade.”










