Pivetta minimiza tarifaço de Trump em MT e compara crise a tosa de porco; " Muita gritaria e pouca lã"
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), minimizou os impactos econômicos da decisão dos Estados Unidos de impor o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Em entrevista coletiva hoje (17), Pivetta utilizou uma metáfora popular para classificar a repercussão do chamado "tarifaço" promovido pelo governo de Donald Trump como puro alarmismo político e garantiu que a medida não altera a rota de crescimento do estado.
"Esse negócio aí é que nem tosa de porco: é bastante gritaria e pouca lã. Eu já vi porco ser tosado. O porco você segura ele, ele berra. Não aconteceu nada, só que ele grita muito. É mais ou menos isso que está acontecendo no Brasil. Todo mundo se apegando nisso com fins eleitorais. Para nós, não muda nada, absolutamente nada. Nós não temos os Estados Unidos como mercado importante", disparou o governador em exercício.
O posicionamento de Pivetta ocorre pelo próprio desenho da barreira comercial norte-americana, que estabeleceu uma extensa lista de exceções que poupa as principais commodities nacionais, como café, carne bovina, peixe e laranja. O chefe do Executivo lembrou que, no fluxo de trocas internacionais, são as indústrias americanas que dependem de vender bens de capital ao mercado brasileiro, o que esvazia o potencial de prejuízo ao setor produtivo de Mato Grosso.
"A carne está fora dessa tributação. Máquinas agrícolas... o Brasil importa muito dos Estados Unidos, nós compramos muito de lá. Então, para o Brasil, o setor está sendo prejudicado porque foi feita a taxação, mas foram excluídos outros do portfólio. Então me parece que não sobrou nada para ser taxado. Essa conversa, essa gritaria que está sendo feita, para mim, é inócua. Ninguém ganha, ninguém perde", avaliou.
Afastando o pessimismo do mercado, Otaviano Pivetta demonstrou a solidez financeira do estado. Ele afirmou que Mato Grosso caminha de forma independente ao cenário externo devido ao processo de industrialização do campo, impulsionado pelo esmagamento de grãos, produção de farelo proteico, óleo vegetal, biodiesel e etanol de milho.
"O Estado de Mato Grosso é o único estado que está recebendo investimento na agroindústria. Nós industrializamos hoje cerca de 25% da nossa produção total, olha o espaço que tem para a agroindústria. A nossa política será cada vez mais de estímulo para verticalizar a produção, agregar valor e melhorar os salários".
Projeções demográficas e econômicas que colocam o estado em um patamar isolado de desenvolvimento no país. Pivetta concluiu reforçando que a geração de empregos técnicos nas lavouras e nas usinas de biocombustíveis compensará eventuais perdas fiscais de reformas nacionais, mantendo a atratividade do estado para novos investimentos e fluxos migratórios.
A tarifa de 25% passa a vigorar em 22 de julho e tem como principais focos de acusação o comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, com críticas diretas ao Pix, barreiras ao etanol norte-americano, concessão de tarifas preferenciais a outros países e falhas na proteção à propriedade intelectual e no combate ao desmatamento ilegal.
Embora o governo federal brasileiro conteste os argumentos técnicos, aponte viés político na decisão e prometa aplicar medidas de reciprocidade comercial por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC), setores do agronegócio de Mato Grosso ficaram de fora do impacto imediato, uma vez que itens essenciais como a carne bovina foram listados formalmente entre as exceções da nova taxa.










