Por suspeita de grampo, Polícia Civil faz varredura e vereadores suspendem sessões na Câmara de Várzea Grande
A Câmara Municipal de Várzea Grande vive uma situação de instabilidade institucional. Conforme a Ordem do Dia da Sessão Ordinária, esta terça-feira (12) deveria ocorrer votações de projetos de lei e vetos orçamentários, mas se transformou em um caso de polícia. Por determinação da Casa de Leis, todas as atividades legislativas foram suspensas para que a Polícia Judiciária Civil realize uma varredura técnica completa nas dependências do Parlamento.
A crise estourou após o vereador Bruno Rios (PL) denunciar a descoberta de um suposto aparelho de escuta clandestina escondido em seu gabinete, na última quinta-feira (7). O dispositivo, um microfone acoplado envolto em fita isolante, estava oculto na canaleta do ar-condicionado. O equipamento foi apreendido e encaminhado para perícia técnica.
Diante do risco de comprometimento da segurança institucional, a Gerência de Contrainteligência (GECOI) da PJC inicia, às 9h desta terça, uma inspeção minuciosa para averiguar a existência de outros dispositivos de espionagem ou riscos que possam afetar o pleno funcionamento do Legislativo.
Além de paralisar a pauta de votações que incluía temas como a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, a suspensão das atividades mexe diretamente com o tabuleiro político municipal. O adiamento da sessão ordinária para o próximo dia 19 de maio cria um impasse sobre a eleição da Mesa Diretora para o segundo biênio.
O Regimento Interno da Casa estabelece que a eleição deve ocorrer no dia 14 de maio. No entanto, com inspeção policial, o cronograma eleitoral tornou-se incerto. A disputa está polarizada entre o atual presidente, Wanderley Cerqueira (MDB), que busca a reeleição, e o vereador Lucas Chapéu do Sol (PL).
Na semana passada, a Polícia Civil concluiu as investigações sobre a suposta instalação de dispositivos de escuta clandestina no gabinete da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL). O laudo pericial, realizado após a denúncia feita pela gestora em março, constatou que os aparelhos encontrados eram, na verdade, componentes de campainhas sem fio de uso residencial.
Em nota oficial, a Câmara de Várzea Grande justificou que a medida é excepcional e necessária para garantir a transparência e a integridade física e institucional de parlamentares, servidores e da população que frequenta a Casa.
Veja a nota na íntegra:
A Câmara Municipal de Várzea Grande informa aos senhores vereadores, vereadoras e à população em geral que a Sessão Ordinária prevista para esta terça-feira, 12 de maio de 2026, foi adiada em razão da realização de procedimentos de varredura e inspeção técnica nas dependências da Casa de Leis e do plenário.
A ação será conduzida pela Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso, por meio da Gerência de Contrainteligência (GECOI), às 9h, atendendo solicitação formal encaminhada pela Secretaria Legislativa de Gestão e Planejamento da Câmara Municipal.
O procedimento tem como finalidade averiguar eventuais riscos e possíveis dispositivos que possam comprometer a segurança institucional e o pleno funcionamento das atividades legislativas.
A Câmara reforça que a medida visa garantir a transparência, a segurança dos parlamentares, servidores e da população que acompanha os trabalhos do Legislativo Municipal.
A Sessão Ordinária será transferida para o dia 19 de maio de 2026, terça-feira, no mesmo horário e local regimental.
A Câmara Municipal de Várzea Grande agradece a compreensão de todos.










