Recuperação judicial volta ao retrovisor da JAC Motors Brasil
A recuperação judicial voltou à pauta no Grupo SHC, do empresário Sergio Habib, responsável pela operação da montadora chinesa JAC Motors no Brasil. Segundo fontes a par das negociações ouvidas pelo EXAME Insight, o grupo tenta acertar condições com credores antes de apresentar um novo pedido à Justiça.
As conversas envolvem a renegociação de dívidas que o grupo pretende manter fora do pedido. Um grande banco teria uma exposição superior a R$ 100 milhões — e não seria o maior credor. O valor total do passivo que poderá integrar a recuperação ainda não foi confirmado.
Um dos pontos de atenção nas negociações é a dificuldade de localizar parte dos veículos oferecidos como garantia de operações de crédito. Bancos e fundos que buscam recuperar os valores emprestados têm encontrado obstáculos para identificar e retomar os bens.
O Grupo SHC recorreu à recuperação judicial em novembro de 2018, quando declarou quase R$ 1 bilhão em dívidas. À época, o grupo atribuiu suas dificuldades à retração do mercado automotivo, às restrições impostas às importações pelo programa Inovar-Auto e às perdas na operação de concessionárias da Citroën, que havia sido seu principal negócio. A parceria com a fabricante francesa terminou naquele mesmo ano, depois de 28 anos.
Habib apresentou a recuperação como uma forma de preservar a operação da JAC e a venda de carros usados. O plano foi homologado em setembro de 2019, após a aprovação dos credores. Naquele momento, o empresário apostava no lançamento de veículos elétricos para sustentar uma nova fase dos negócios. A primeira recuperação foi encerrada maio de 2025.
Da Citroën à aposta chinesa
Engenheiro elétrico e filho de imigrantes franceses, Habib construiu sua trajetória no setor automotivo a partir da importação e distribuição de veículos. Trouxe a Citroën ao Brasil no início dos anos 1990 e expandiu o Grupo SHC com concessionárias de diferentes fabricantes e a representação de marcas como Jaguar e Aston Martin.
O grupo chegou a reunir cerca de 100 lojas e a faturar R$ 6 bilhões por ano. Em 2011, Habib lançou a JAC no país com a abertura de 50 concessionárias em um único dia. A expansão previa uma fábrica na Bahia, estimada em R$ 1 bilhão, que não saiu do papel.
O Grupo SHC não retornou aos contatos.










