Bando cobrava propina de até R$ 30 mil para "sumir" com dívidas de impostos em Cuiabá
A organização criminosa alvo da Operação Déjà Vu, deflagrada nessa terça-feira (20), cobrava propina que variava entre R$ 5,5 mil e R$ 30 mil para realizar o cancelamento irregular de dívidas tributárias na Capital. Segundo a Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), os pagamentos eram feitos por contribuintes via Pix ou em espécie para que os investigados dessem "baixa" indevida em pendências com o fisco municipal.
De acordo com a decisão judicial, o líder do esquema, o ex-servidor Jefferson Antônio da Silva, que segue foragido, chegou a receber R$ 30 mil de um único contribuinte, sendo parte do valor entregue em mãos e o restante via transferência bancária. O grupo é acusado de causar um prejuízo de R$ 2,7 milhões ao erário, realizando mais de 133 mil cancelamentos suspeitos no sistema GATweb entre o final de 2024 e o início de 2025.
Prisões mantidas
A Justiça manteve as prisões dos ex-servidores Matheus Henrique do Nascimento Pereira e Adriano Henrique Escame de Oliveira, detidos durante a operação. Os dois passaram por audiência de custódia no mesmo dia e, por se tratar de cumprimento de mandado de prisão preventiva, o juiz do Núcleo de Justiça do Juiz de Garantias, Cássio Leite de Barros Netto, limitou-se a verificar as circunstâncias das detenções. Consideradas regulares, as prisões foram mantidas e os investigados permanecem à disposição do Judiciário.
Investigação
A investigação detalha que o grupo utilizava logins e senhas de procuradores municipais para acessar a plataforma de dívida ativa. A advogada Carolina Taques Miranda Pinheiro, ex-assessora jurídica, é suspeita de compartilhar indevidamente as credenciais de um procurador para facilitar as fraudes. Ela teve o exercício da advocacia tributária suspenso por ordem judicial.
Outros envolvidos, como assessores parlamentares e estagiários, também são investigados por intermediar contatos, facilitar a entrega de propinas e aliciar outros servidores para a obtenção de novas senhas. Ao todo, a Justiça bloqueou R$ 491.450,45 em bens do grupo para tentar ressarcir parte do prejuízo causado ao município.






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