Haddad: queremos acabar com transgressões tributárias e equilibrar as contas

Redação • 26 de junho de 2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a alertar, em entrevista nesta terça-feira (24/5), que o Brasil figura entre os dez países de maior desigualdade. E que, diante desse cenário, qualquer necessidade de ajuste de contas para manter o equilíbrio e a sustentabilidade da economia passa pela escolha das prioridades: para onde destinar o orçamento público, e de onde arrecadar, são questões que devem se subordinar ao projeto de promover justiça social.


Haddad cita como exemplo o caso das casas de apostas eletrônicas, as bits, que nos governos anteriores não recolhiam nenhum centavo aos cofres públicos. Desde o final do governo Temer, passando por todo o governo Bolsonaro, as bets eram livres de impostos, igualando-se às Santas Casas. “Entre a bet e Santa Casa, vamos combinar, um está destruindo vidas, a outra está construindo vidas. Você vai isentar os dois? Isenta a Santa Casa e cobra o imposto de bet.”


Nesse sentido, a medida provisória enviada ao Congresso pretende retomar a proposta originária, do atual governo, de 12% para 18% sobre saldo não rateado entre os apostadores.


No governo anterior, deixou-se de arrecadar R$ 40 bilhões das bets. Nós passamos a cobrar. Mas nós queríamos cobrar 18%. O Congresso baixou para 12%. Nós, pela medida provisória, estamos voltando a cobrar 18%. Que, na minha opinião, é o mínimo que tem que ser cobrado dessas casas de aposta, que ganham muito dinheiro sem gerar emprego. E são bilhões de reais que deixam o país, porque uma boa parte tem sede fora do Brasil.”


O ministro considera ainda que o Legislativo trata hoje as propostas do Executivo com menos resistência e “simpatia maior” do que quando foram apresentadas.


Haddad trata da importância de se chegar a um acordo com o Congresso para que o andar de cima pague no mínimo o mesmo imposto pago pelo brasileiros mais pobres. O ministro lamenta ainda os conflitos no Oriente Médio, pelas mortes e a tragédia humanitária que causam, mas diz crer que, do ponto de vista da economia não há impactos consideráveis ao Brasil, graças à expansão das relações comerciais do País.


Fernando Haddad afirma ainda que todos os poderes e governantes devem ser críticos à criação de novos gastos que não sejam imprescindíveis, como a ampliação do número de deputados. “Nenhum aumento de gasto é bem-vindo”, diz, a menos que fosse uma coisa absolutamente imprescindível para o funcionamento do país.


“O aumento do número de deputados é imprescindível? Tem a ver com a saúde da população? Tem a ver com a catástrofe, como aconteceu no Rio Grande do Sul? Nós poupamos dinheiro no Rio Grande do Sul? Não. Nós estamos diante de uma emergência? Essa é a pergunta que tem que ressoar na cabeça de todo político. Não importa se você é prefeito, governador, presidente, ministro, deputado, senador”, pondera Fernando Haddad.


Ministro, eu já começo falando sobre IOF. Na semana passada foi aprovado o projeto para a derrubada do decreto da alta do IOF. Diante desse ambiente, eu gostaria que o senhor trouxesse para a gente se há clima para a votação da medida provisória (com propostas de ajustes nas contas públicas).


O objetivo do governo é um só: equilibrar as contas públicas, onerando quem não paga imposto e desonerando quem paga. Hoje, o trabalhador que ganha até R$ 5 mil paga imposto de renda. Esse imposto de renda até R$ 5 mil chega a 10% do salário do trabalhador.

Existem 141 mil pessoas no Brasil que ganham mais do que R$ 1 milhão por ano e pagam um imposto de renda médio de 2,5%. Eu te pergunto: é justo um milionário pagar 2,5% de imposto de renda e a professora de escola pública, policial militar, o bombeiro, a enfermeira pagar 10% do salário de imposto de renda? Não é mais justo isentar quem ganha pouco e cobrar de quem não paga nada, ou quase nada hoje?


A questão do IOF: o IOF é um imposto que sempre existiu sobre operações de crédito. Várias instituições financeiras começaram a driblar o imposto sobre operações financeiras, IOF, com uma metodologia de dizer que não é crédito. O governo fechou a porta dessa transgressão. Então não adianta inventarem um produto, dizer que é uma coisa e é outra, para burlar a legislação.


Vou pegar outro caso. Nós mandamos uma lei para o Congresso dizendo que das bets, desde o final do governo do Temer, passando por todo o governo Bolsonaro, não se cobrou imposto, igualando bet a Santa Casa. Entre a bet e a Santa Casa, vamos combinar, um está destruindo vidas, o outro está construindo vidas. Você vai isentar os dois? Isenta a Santa Casa e cobra o imposto de bet. No governo anterior, deixou-se de arrecadar R$ 40 bilhões das bets. Nós passamos a cobrar.


Mas nós queríamos cobrar 18%. O Congresso baixou para 12%. Nós, pela medida provisória, estamos voltando a cobrar 18%. Que, na minha opinião, é o mínimo que tem que ser cobrado dessas casas de aposta, que ganham muito dinheiro sem gerar emprego. E são bilhões de reais que deixam o país, porque uma boa parte tem sede fora do Brasil.


Então, quando se fala em aumentar a carga tributária ou baixar a carga tributária, a pergunta é: para quem que está aumentando?


Se eu estou aumentando a carga tributária de quem é rico e não paga nada, eu não estou aumentando a carga tributária. Se eu estou abrindo mão de um imposto que é o trabalhador de baixa renda que está pagando, ou de classe média que está pagando, eu estou fazendo benefício para o país.


Eu estou buscando justiça tributária e equilibrando as contas públicas. Todo mundo tem que contribuir, mas na justa medida das suas forças e das suas possibilidades. E isso não está acontecendo no Brasil, que é um dos dez países mais injustos do mundo do ponto de vista do tributo, do imposto.


Ministro, ainda aprofundando um pouquinho mais nessa medida provisória, ela tem outros pontos ali que nós observamos resistência dentro do Congresso. Diante desse cenário, há alguma outra saída, algo para ser apresentado ao Congresso Nacional ou é negociação política? Eu ouço que há um movimento internamente no Congresso até para tentar deixar a medida provisória vencer e perder a validade.


Eu não acredito, eu entendo esse jogo político, mas de dois anos e meio para cá, qual tem sido o padrão do Congresso Nacional? O Congresso faz lá as observações que ele deve fazer, mas no final das contas, o que tem acontecido? Mediante negociação, temos aprovado praticamente todas as medidas, mesmo aquelas que foram mal recebidas no primeiro momento, depois de explicadas, elas foram recalibradas e aprovadas.


O presidente (da Câmara) Hugo Motta e o presidente (do Senado) Davi Alcolumbre têm sido muito sensíveis à necessidade de equilibrar as contas públicas, fazendo o ônus recair sobre quem tem e não paga. E não são tantos brasileiros assim que não pagam, mas são os mais ricos. Essa que é a característica do nosso país, é o andar lá de cima, é o morador da cobertura que não está pagando condomínio, não é o morador do apartamento padrão.


Então nós temos que corrigir essa distorção. Historicamente, quando precisava fazer um ajuste de contas, como era feito o ajuste de contas? Congela o salário mínimo, congela a tabela do imposto de renda. Olha a maldade que se fez nesse país durante sete anos.

A primeira providência do presidente Lula foi passar a faixa de isenção para dois salários mínimos. Quem ganha até dois salários mínimos não paga nada no imposto de renda. E a partir de 1º de janeiro, R$ 5.000. Olha a diferença de uma situação para outra. Então, nós não vamos desistir de conversar com a sociedade, de explicar para a população o que está sendo decidido pelo Congresso Nacional.


Mesma coisa com a energia elétrica agora. Você viu esse bafafá todo em torno da energia elétrica?


Derrubaram os vetos do presidente Lula. Isso pode significar um aumento da conta de energia de R$ 26 bilhões distribuído pelos consumidores. O presidente Lula vetou, o Congresso derrubou o veto. O presidente Lula então mandou uma nova medida provisória dizendo que quem consome até 80 kW não paga mais conta de luz. São duas visões completamente diferentes de mundo.


Inclusive, ministro, o Congresso cobra um corte de gastos por parte do governo, mas, por exemplo, resiste a pautar cortes em benefícios tributários. O senhor acredita que o Congresso tenta desviar o foco para não se indispor com alguns setores?


Eu não gostaria de generalizar. Tem um perfil de parlamentar que é mais conservador e que está mais olhando para o lado das classes mais abastadas. E tem um outro tipo de parlamentar que está olhando para o dia a dia da vida de 70% da população, que é quem está pagando conta de luz cara, que é quem está pagando imposto ganhando pouco, faz parte de qualquer democracia essa disputa.


Acontecer nos Estados Unidos, na Europa, tudo bem. Mas nós temos um lado, esse governo escolheu o seu lado.

Quando a gente fala em baratear a conta de luz, sobretudo para quem consome pouco, quando dizemos que quem ganha até R$ 5 mil não tem que pagar imposto de renda, nós estamos pensando que isso vai fortalecer a economia, porque vai ampliar o mercado consumidor. Hoje as pessoas estão endividadas. 


Dando um outro exemplo, o crédito consignado. Todo o trabalhador celetista hoje pode fazer um crédito consignado, em vez de pagar 6% de taxa de juro por mês, que é o que o crédito direto ao consumidor está cobrando, ele pode, no consignado, pagar metade disso e daqui a um mês ele vai pagar menos do que a metade. 


Quando você faz isso, tem gente que fala “não, isso é populismo”. Como “populismo”? Você vai fazer uma família pagar 6% de juro ao mês, podendo oferecer para ela um instrumento que faz o juro cair à metade? Então isso é trabalhar em proveito de um país estruturalmente melhor. 


Isso não tem nada a ver com o que as redes sociais às vezes discutem. Nós estamos fazendo um país mais justo. Quando eu vejo, às vezes, numa rede social, “ah, o governo está aumentando o imposto”, a pergunta que eu faço é: “De quem? Do rico que não paga!” Estamos declaradamente fazendo isso.


Vou te dar um exemplo. Muitos bilionários no Brasil tinham fundos fora do Brasil, chamado offshore, geralmente em paraíso fiscal. Sabe quanto que eles pagavam no imposto? Zero.


No começo, quando nós mandamos a medida, muitos diziam no Congresso “não, isso não pode ser”, porque muita gente que eles conhecem tinha fundo offshore. Até o ex-presidente do Banco Central tinha conta em offshore, mas ele próprio declarou que era a favor da cobrança. Não é justo uma pessoa pagar imposto e eu, que tenho um fundo fora do país, em paraíso fiscal, não vou pagar?


Então é justo que o país, que quem não pagava, passasse a pagar, para aliviar o dia a dia daquele que trabalha 40, 50 horas por semana e, às vezes, não consegue fechar o mês. Nós temos que ajudar essa família a terminar o mês com dignidade, quem sabe até com uma pequena poupança.



O senhor chegou a comentar sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, e esse projeto está lá na Câmara dos Deputados. O relator é o deputado Arthur Lira. O presidente da Câmara, Hugo Motta, chegou a dizer que a intenção é que esse projeto seja aprovado até setembro. O que a gente pode já trazer de informação em torno desse projeto?


A nossa proposta é muito clara e recebeu elogios de economistas de várias escolas de pensamento. O que nós estamos propondo para compensar a isenção é que quem ganha mais de um milhão por ano e que hoje paga menos de 10%, complemente para chegar a 10%. Ou seja, eu não estou cobrando 10 a mais, eu estou pedindo para ele chegar a 10. Então, suponha que eu ganhe um milhão e pague 50 mil de imposto durante o ano. Eu vou completar 10, eu vou pagar mais 50.


O deputado Arthur Lira esteve comigo e esteve com a minha equipe várias vezes e estará muitas outras. E ele tem a liberdade de pedir informações para a Receita e está buscando outras fontes, o que é muito legítimo da parte dele, explorar todas as possibilidades.

Mas eu quero crer que ele terá bom senso de, ao explorar todas as possibilidades, chegar no entendimento de que os ricos têm que pagar alguma coisa. Então, nós estamos tentando sensibilizá-lo. Eu vejo no Congresso uma simpatia maior hoje do que via dois meses atrás por esse projeto.


Agora, quais seriam essas outras fontes de compensação que Lira tem discutido e que não impactam os ricos?


Todas impactam o andar de cima, todas elas. Mesmo as que estão sendo exploradas, impactam sempre o andar de cima. Eu não posso me antecipar ao relatório do Arthur Lira. O que eu estou dizendo é que ele está explorando essas possibilidades com muita seriedade.

Estou otimista de que nós vamos chegar no final do ano com os mesmos resultados positivos que tivemos nos dois anos anteriores. Briga, discute, diverge, mas e aí? Vamos pelo país, vamos resolver e aí baixa o espírito de responsabilidade geral para nós avançarmos um pouco mais.


O caminho é longo, porque estava tudo muito bagunçado, mas nós estamos aí crescendo, gerando emprego. Estamos com a menor taxa de desigualdade da série histórica. O menor número de jovens “nem-nem” (que nem estuda, nem trabalha). Então, vamos preservar o que nós construímos até aqui e avançar.



Agora, ministro, o Senado está para votar um projeto que aumenta o número de deputados de 513 para 531. Na prática, isso onera ainda mais os cofres da União. E internamente, no Congresso Nacional, ainda tem toda a discussão em torno das emendas parlamentares. O presidente da Câmara, Hugo Motta, até chegou a apresentar um projeto recentemente que permite a deputados acumular aposentadoria com salários. Diante disso tudo, esse Congresso tem condições de cobrar o governo pelo corte de gastos?


A minha posição de princípio é o seguinte. Primeiro que o aumento de gasto público, quando você tem uma necessidade de fazer, e às vezes você tem uma pandemia, tem um conflito, tem uma recessão brutal, tem várias circunstâncias em que ele se faz necessário.


Nós estamos num momento, neste momento do Brasil, que eu penso que devemos congelar o debate sobre o aumento de gasto.

A menos que fosse uma coisa absolutamente imprescindível para o funcionamento do país. O aumento do número de deputados é imprescindível? Tem a ver com a saúde da população? Tem a ver com a catástrofe, como aconteceu no Rio Grande do Sul? Nós poupamos dinheiro no Rio Grande do Sul? Não. Você vai fazer economia com a vida daquelas pessoas? Não. Por que o Rio Grande do Sul se recuperou com a força que se recuperou? Tinha especialista que estava dizendo que era 10 anos para recuperar o estado. Nós recuperamos em um. Era uma emergência.


Nós estamos diante de uma emergência? Essa é a pergunta que tem que ressoar na cabeça de todo político. Não importa se você é prefeito, governador, presidente, ministro, deputado, senador. Hoje nós temos que ser muito cautelosos, porque quanto mais cautela, o Brasil tem a chance de entrar num ciclo virtuoso, crescer 3% por três, quatro anos.


Ministro, falando sobre o programa Acredita. Esse programa que pretende dar crédito, me corrija se eu estiver errada, a microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas. Em que momento está esse programa? Pelo que a gente tem acompanhado, está demorando para engatar.


Olha, o crédito no Brasil, ele está indo muito bem. Se você pegar a quantidade de imóveis vendidos pelo sistema de crédito, porque quem compra a vista imóvel no Brasil é muito pouca gente. A maioria compra financiado. Carro, nós saímos de uma produção de 1,8 milhão e devemos crescer esse ano, talvez a gente beire 3 milhões de unidades. A maioria vai ser vendida a crédito, financiada. Então, eu estou falando de duas coisas muito importantes, que é casa própria e automóvel.


Aí você pega crédito, capital de giro para pequena e média empresa, está indo muito bem. O Pronamp, que é um programa antigo que foi turbinado pelo governo, ele está rodando bem. O microcrédito, que estava restrito ao Nordeste, está sendo universalizado pelo Basa (Banco da Amazônia), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. É aquele crédito barato para a pessoa do Bolsa Família, do CadÚnico, poder se emancipar e ter uma atividade econômica rentável. E o consignado do trabalhador, esse está voando.


Eu vou te dar um número que vai te surpreender. O consignado existe há 20 anos e conseguiu emprestar R$ 40 bilhões. Em três meses de consignado do trabalhador, emprestamos R$ 16 bilhões.


O que está faltando acontecer no Brasil com mais força? O crédito imobiliário para a classe média ainda é pequeno na comparação internacional. O Brasil tem crédito imobiliário na casa de 10% do PIB. Tem países como o Chile, que é 30%, na Austrália é mais do que 100% do PIB de crédito imobiliário.


Ministro, a repercussão da alta da Selic foi ruim inclusive dentro do governo. O Brasil voltou a ter uma das maiores taxas de juros reais do ranking mundial. Lula criticava publicamente o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e agora tem o indicado seu, Gabriel Galípolo, Diante desse cenário, o problema então não era o ex-presidente do BC, Roberto? O governo ficou frustrado com o Gabriel Galípolo?


Olha, sendo muito honesto, e quem é do ramo sabe que eu estou falando a verdade, essa alta foi contratada na última reunião da qual participou o Roberto Campos (no final do ano passado). É como se você estivesse estabelecendo uma contratação futura da taxa. Na última reunião do Copom, de dezembro, foi estabelecido que ia ter um aumento forte da taxa Selic. Não dá para dar cavalo de pau em política monetária. Você vai perder credibilidade, você vai perder o leme da economia. Então nós precisamos dar um pouco de tempo ao tempo. Mas, enfim, eu estou preocupado, evidentemente. É uma taxa de juro muito, muito restritiva.


Já que o senhor trouxe esse impacto internacional no Brasil, tem sido discutidas medidas junto ao presidente Lula para minimizar os possíveis impactos dessa guerra e da ampliação dessa guerra no Oriente Médio aqui no Brasil. Há exemplo do aumento do biocombustível na gasolina e no diesel, que é algo que está sendo discutido essa semana. Há outras medidas que já estão sendo discutidas?


Olha, primeiro que o Brasil é exemplo no mundo de substituição de combustível fóssil por biocombustível. O presidente Lula deu muita força para isso nos seus dois primeiros mandatos e voltou agora no terceiro mandato com força total. Então, nós estamos com força nisso e nós aprovamos uma lei no Congresso Nacional chamado Combustível do Futuro, que é um exemplo internacional de como fazer a transição.


Soltamos um edital para recuperação de pastagens degradadas com o objetivo de recuperar um milhão de hectares, em proveito do meio ambiente, da produção de alimentos. Então, o Plano de Transformação Ecológica do Brasil é exemplo no mundo. As pessoas estão olhando para o Brasil para saber o que o Brasil está fazendo.


Estamos desmatando menos, produzindo mais, aumentando a produtividade do campo, apoiando o campo. Só de isenção fiscal, o ano passado foram R$ 158 bilhões para o agronegócio. É o valor de todo o Bolsa Família. Isso ajuda no combate à inflação, gera oportunidade de emprego, de renda. Então, esse é o objetivo do governo.


Então, em relação à guerra especificamente, não há nenhuma medida sendo antecipada por parte do governo? Ou não há essa necessidade?


Eu lamento profundamente o que está acontecendo no mundo, porque é uma desgraça humanitária, a quantidade de pessoas que estão morrendo. Então, isso é pavoroso do ponto de vista humanitário.


Mas do ponto de vista da economia brasileira, pega o caso do tarifaço do Trump. O Brasil tem equilíbrio comercial com os Estados Unidos, até um pouco deficitário. E isso tem pouco impacto no Brasil. Porque o Brasil se abriu para a Europa, para a Ásia, China. Tem boa relação com os Estados Unidos sendo mantida, tem o Mercosul, que é um ativo da nossa região. Então, o multilateralismo pregado pelo presidente Lula é uma questão central para o Brasil. E, às vezes, se dá pouca importância para isso. E isso é muito importante num momento de conflito. Você não está agarrado a um bloco, você tem uma visão ampla.


Ministro, eu não poderia deixar de falar de ano eleitoral, 2026, está aí. E eu gostaria de falar um pouco sobre essa preparação. O presidente Lula tem uma tendência a ampliar gastos com programas sociais. Eu gostaria de te ouvir se é possível conciliar corte de gastos com essa preparação, com a eleição de 2026.


Olha, uma coisa eu diria para você com muita segurança, o presidente Lula não vai repetir o erro que foi cometido pelo governo em 2022. O governo, em 2022, bagunçou as contas públicas e perdeu a eleição. Então nós é que estamos arrumando a bagunça.


Lembra o desespero do governo Bolsonaro em gastar no último ano, baixando o preço da gasolina artificialmente, dando auxílio para todo mundo, resultou no quê? Resultou em derrota. Não é assim que se constrói um país. Então eu estou muito seguro de que nós estamos em um caminho sólido. Nós estamos fazendo as coisas com responsabilidade.

Por Gazeta Digital 1 de maio de 2026
O deputado estadual e médico Lúdio Cabral (PT) comemorou o anúncio feito pelo governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos) de readmitir os 56 profissionais de saúde do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) desligados nas últimas semanas. Para o médico, Pivetta entendeu o contexto e a importância do Samu. A decisão foi tomada durante reunião no Palácio Paiaguás com os servidores demitidos, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma), além dos deputados Dr. João (MDB) e Paulo Araújo (Republicanos), integrantes da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa. Lúdio também destacou a disposição do governo em revisar o Termo de Cooperação entre o Samu e o Corpo de Bombeiros, com objetivo de corrigir irregularidades e ampliar a cobertura do serviço dos atuais 58% para 100% da população mato-grossense. "Estou muito feliz. Os 56 profissionais de saúde do SAMU que haviam sido demitidos serão readmitidos. Todos eles voltam para suas bases, para suas equipes, para suas ambulâncias para que o Samu volte a funcionar aqui na Baixada Cuiabana", disse Lúdio, ao citar que seis bases seguem desativadas por falta de profissionais em Cuiabá e Várzea Grande. O parlamentar defendeu que enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas de ambulância sejam readmitidos de forma imediata, para retorno ao trabalho já a partir de 1º de maio. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) devem avaliar juridicamente a forma de recontratação dos contratos encerrados até abril. "Então, essa é a primeira decisão tomada a partir do diálogo com o governador. E, segundo, é a rediscussão do termo de cooperação técnica com o Corpo de Bombeiros para que se possa fortalecer o Samu, a participação complementar do Corpo de Bombeiros e a ampliação da cobertura pelo Samu no Estado de Mato Grosso por conta da disponibilidade que o Ministério da Saúde colocou de 52 novas unidades para Mato Grosso, para sairmos de uma cobertura de 58% para 100%", seguiu o deputado. Segundo Lúdio, o governo reconsiderou a proposta inicial de substituir o Samu pelo serviço de resgate do Corpo de Bombeiros e passou a dialogar com os profissionais da saúde. "O governador foi, à medida que o tempo foi passando, entendendo o contexto e a importância que o Samu tem para a saúde da nossa população e teve a maturidade, a humildade de reavaliar a posição dele. E hoje nos anuncia essa decisão da readmissão dos 56 profissionais, todos voltarão ao Samu, haverá a rediscussão do termo de cooperação técnica para que a gente tenha a atenção à urgência em Mato Grosso e adequada às normas do Samu nacional", declarou Lúdio.
Por Gazeta Digital 1 de maio de 2026
O presidente da Câmara Municipal de Sinop, vereador Remídio Kuntz (Republicanos), morreu na manhã desta sexta-feira (1) em um acidente na BR-163, no trecho entre Sinop e Itaúba. A Casa de Leis ainda não se manifestou oficialmente. Não há informações detalhadas sobre a dinâmica do acidente. o veículo em que o vereador estava se envolveu em uma colisão, as imagens já circulam nas redes sociais. Uma equipe de resgate foi até o local e confirmou a morte. Reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Câmara de Sinop, que ainda está se atualizando sobre o caso. Histórico Natural de uma família oriunda do sul do país, Remídio nasceu em 1966 e chegou a Sinop em 1979, aos 14 anos, acompanhado dos pais e quatro irmãos, vindos de Tacuru (MS). Na cidade, construiu sua trajetória pessoal, profissional e política. Antes de ingressar na vida pública, destacou-se pela atuação comunitária no bairro São Cristóvão, onde foi presidente por dois mandatos consecutivos. Durante o período, liderou projetos sociais, reivindicações por melhorias e ações voltadas aos moradores da região. Em 2008, disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara Municipal com o slogan “Remídio do São Cristóvão” e foi eleito vereador com 1.110 votos pelo PP. Assumiu o mandato em 2009 e, dois anos depois, tornou-se presidente do Legislativo municipal pela primeira vez. Ao longo da carreira política, também ocupou cargos no Executivo, como secretário municipal de Obras e chefe de gabinete da Prefeitura de Sinop. Entre os principais momentos da atuação parlamentar, esteve a criação de uma CPI para investigar irregularidades ligadas à Usina Hidrelétrica de Sinop, após impactos ambientais no rio Teles Pires. Nas eleições mais recentes, foi eleito novamente vereador com 1.801 votos e escolhido pelos colegas para presidir a Câmara pela terceira vez, no biênio 2025/2026. Remídio Kuntz era reconhecido pela forte ligação com as causas comunitárias e pela longa trajetória dedicada à vida pública em Sinop.
Por RepórterMT 30 de abril de 2026
Operação do Gaeco cumpre mandado hoje (30) contra instituto em Cuiabá. Informações preliminares apontam que a ação seria desdobramento das investigações da Operação Gorjeta, que derrubou esquema de desvio de emendas parlamentares em Cuiabá empenhadas junto ao Instituto Brasil Central (Ibrace) para a realização de corridas de rua.  Os nomes dos alvos da operação de hoje ainda não foram divulgados, mas informações indicam que parlamentares estariam entre os investigados do Gaeco. Um dos alvos da operação de hoje é o endereço do Instituto Ibrace, onde também ficam localizados outros dois institutos. A Operação Gorjeta culminou no afastamento do verador de Cuiabá Chico 2000. Com base nas investigações a Justiça mandou auditar emendas de sete vereadores de Cuiabá.
Por Gazeta Digital 30 de abril de 2026
Corpo de um homem, ainda não identificado, foi encontrado boiando nas águas do Lago Ernani José Machado, em Lucas do Rio Verde (354 km ao norte de Cuiabá), na manhã desta quinta-feira (30). A ocorrência foi registrada nas primeiras horas da manhã e mobilizou equipes da Guarda Civil Municipal (GCM), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Perícia Oficial (politec). A imprensa da cidade relatou que na quarta-feira (29), as autoridades foram avisadas de que um homem estava nu e circulando pelo lado. Em buscas, ninguém foi encontrado, apenas um short e uma camiseta. Já na manhã de quinta, um novo chamado relatava que um corpo estava boiando no local. Os agentes foram até o local e confirmaram o fato. Não há, até o momento, informações sobre a identidade da vítima. A causa da morte também não está esclarecida. O caso segue em andamento.
Por Gazeta Digital 30 de abril de 2026
A Federação Brasil da Esperança em Mato Grosso (PT, PV e PCdoB) descartou qualquer possibilidade de apoiar uma eventual candidatura do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), ao governo do Estado ou Senado, nestas eleições. Em comunicado oficial, as lideranças da Federação desmentiram as informações de que Emanuel poderia substituir a médica Natasha Slhessarenko (PSD) no pleito, e reafirmaram que não há qualquer tratativa, diálogo ou aproximação política com o grupo ligado ao ex-prefeito de Cuiabá. “A federação esclarece que não existe qualquer sinalização de apoio a esse grupo e ressalta que a divulgação dessa possibilidade parte de adversários políticos, com o objetivo de gerar instabilidade no campo da oposição em Mato Grosso”, diz a nota. O grupo ainda afirma que suas prioridades políticas estão centradas na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Carlos Fávaro (PSD), além do fortalecimento de seu projeto político no estado. O grupo também reforça seu compromisso estratégico com a pré-candidatura de Natasha Slhessarenko ao Governo de Mato Grosso. As siglas que compõem a Federação trabalham com a meta de eleger dois deputados federais e ampliar sua representação na Assembleia Legislativa. De acordo com os dirigentes, no momento, a única aproximação em análise, ocorre com o ex-governador Pedro Taques, pré-candidato ao Senado pelo PSB, que participou da reunião, apresentou propostas e dialogou sobre eventuais composições. O tema segue em avaliação interna, considerando que o grupo também dispõe de nomes como os das professoras Edna Sampaio e Patrícia Nogueira para a disputa da segunda vaga ao Senado. Ao final do encontro, foi definido um calendário de reuniões que irá orientar as próximas decisões estratégicas da Federação, com foco nas eleições de outubro. “A Federação Brasil da Esperança reafirma, por fim, seu compromisso com um projeto político sólido, democrático e voltado ao desenvolvimento de Mato Grosso”, finaliza o comunicado.
Por Senado 29 de abril de 2026
Por 42 contrários a 34 votos a favor, o Plenário rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal. A aprovação da indicação ( MSF 7/2026 ) dependia do voto favorável de pelo menos 41 senadores. Esta foi a primeira vez que uma indicação ao STF foi rejeitada em 132 anos. Antes desse período, apenas cinco indicações feitas pelo então presidente da República foram derrubadas pelos senadores. Todas as rejeições ocorreram em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. O STF foi criado em 1890, após a Proclamação da República. O atual advogado-geral da União foi indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na vaga decorrente da aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, que deixou o tribunal em outubro de 2025. A indicação seguiu para votação em Plenário após sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que o aprovou por 16 votos favoráveis e 11 contrários. Antes da votação, em resposta ao relator da indicação na CCJ, senador Weverton (PDT-MA), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que cumpriu com as suas atribuições constitucionais e regimentais em relação à sabatina de autoridades. Davi criticou a demora do Poder Executivo para enviar a mensagem com a indicação de Jorge Messias. Embora o anúncio do nome tenha sido feito em novembro do ano passado, a mensagem só chegou formalmente ao Senado em abril deste ano. — O que eu pretendo fazer hoje? Votar todas as autoridades do CNMP e do CNJ, chamando atenção para os senadores, para que eles possam vir ao Plenário, para que nós possamos ter um número adequado e expressivo de senadores e senadoras, para, aí sim, deliberarmos a Defensoria, o Tribunal do Trabalho e o Supremo Tribunal Federal. Essa é a nossa decisão. 
Por Gazeta Digital 29 de abril de 2026
As definições entre os partidos que compõem a Federação Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV), e regionalmente integrada com PSD e PSB, avançam com força em direção para conclusão das chapas eleitorais para as eleições de 2026. O principal gargalo do grupo, a disputa pelas duas vagas ao Senado pelo estado de Mato Grosso, pode ser solucionado ainda nesta semana Após semanas de conversas, as lideranças do bloco estão próximas de anunciar oficialmente a composição da dobradinha ao Senado que encerraria os meses de indefinição no campo da centro-esquerda. Inicialmente a ocupação das vagas disponíveis vinha atribuída ao nome do senador Carlos Fávaro (PSD) figura central na articulação devido à sua experiência como ex-ministro no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, durante uma visita do presidente nacional do PT em Cuiabá, Edinho Silva, surgiu o projeto do ex-governador Pedro Taques (PSB). A ideia gerou desconforto em Fávaro. As rivalidades entre os dois são de longa data e desde então havia dúvidas em torno da chapa. Apesar da crise, Fávaro e Taques conversaram por telefone há algumas semanas para tratar das imposições e condições para a dobradinha. Com a aproximação tímida, o grupo entende que a movimentação foi importante, buscando a construção de uma plataforma de entendimento entre os dois pré-candidatos, abrindo caminho para a definição final da chapa. A concretização das candidaturas deve ocorrer ainda nesta semana, num movimento ‘pós-reunião estratégica’ que o PT realizou em Brasília na semana passada para alinhar as campanhas de deputados estaduais, federais e, sobretudo, o plano de reeleição do presidente Lula.
Por Ascom 28 de abril de 2026
Preparados na brasa e finalizados com técnicas de parrilla, os hambúrgueres artesanais do chef Thiago Ferreira integram a programação de feiras e eventos gastronômicos em Cuiabá entre os meses de abril e maio. A proposta reúne diferentes influências culinárias em um cardápio que também contempla peixes, pratos da culinária brasileira e criações desenvolvidas conforme a sazonalidade. À frente do empreendimento, o chef participa de uma série de iniciativas abertas ao público, levando preparos que evidenciam tanto o processo artesanal quanto a diversidade de opções disponíveis. A agenda inclui a Feira do Jardim Imperial, realizada semanalmente às sextas-feiras; o Festival de Cerveja, no Pantanal Shopping, de 30 de abril a 2 de maio; e a Feira do Vinil, no dia 9 de maio, na Casa Cuiabana. Durante os eventos, o público poderá conhecer a proposta gastronômica desenvolvida pelo chef, que vai além dos hambúrgueres e incorpora diferentes ingredientes e técnicas, com variações de acordo com o período do ano. “Hoje, meu foco está nos hambúrgueres de carne na parrilla, mas também trabalho com uma cozinha versátil, que vai desde um almoço simples em família até pratos mais elaborados. Gosto de criar experiências diferentes para atender a diversos paladares”, afirma Thiago. O trabalho também inclui a elaboração de cardápios temáticos, com opções adaptadas a datas comemorativas, como a Páscoa e o Dia das Mães, além de outras propostas sazonais ao longo do ano. Durante a participação nos eventos, está prevista ainda uma ação voltada ao público, em que consumidores poderão concorrer a um almoço especial de Dia das Mães, preparado pelo chef. Com uma abordagem que combina técnicas de preparo na brasa e referências da culinária brasileira, a iniciativa busca apresentar ao público diferentes possibilidades gastronômicas em ambientes de convivência e cultura na capital. Ao integrar a programação de feiras e festivais, a proposta contribui para diversificar a cena gastronômica local, aproximando o público de diferentes referências culinárias em ambientes acessíveis e de caráter cultural.
Por Gazeta Digital 28 de abril de 2026
Diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, afirmou durante reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (ALMT), na manhã desta terça-feira (28), que Mato Grosso pode sofrer penalidades caso não corrija as irregularidades encontradas nas visitas técnicas no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).  Na reunião, Fernando apresentou a conclusão dos relatórios técnico e de auditoria, que identificaram algumas inconformidades, principalmente na gestão de recursos humanos e na aplicação das verbas federais no funcionamento do Samu. Durante a entrevista, Figueira pontuou que o Governo Federal adota, neste momento, uma postura “otimista e colaborativa”, priorizando a adequação do serviço. No entanto, ele alertou que há indícios de uso indevido de recursos destinados exclusivamente à saúde, com possível direcionamento de verbas para profissionais ligados a outras estruturas, como o Corpo de Bombeiros, o que contraria uma das normas do Sistema Único de Saúde (SUS). “Caso as falhas persistam, o Ministério da Saúde poderá adotar medidas mais rigorosas, como a suspensão de repasses financeiros, a exigência de devolução de recursos utilizados de forma irregular e a restrição de novos investimentos e habilitações no Samu, mas não é algo que queremos pensar agora, pois essas ações só serão consideradas em último recurso, não é um caminho que queremos seguir”, pontuou. O Ministério da Saúde, sob comando do ministro Alexandre Padilha, deve intensificar o monitoramento das ações do governo estadual, especialmente quanto à promessa de ampliação da cobertura do Samu. Atualmente, Mato Grosso atende cerca de 58% da população, abaixo da média nacional de 88%. A meta é alcançar 100% de cobertura. As auditorias também apontaram problemas estruturais e operacionais. Um dos principais pontos é o funcionamento da Central de Regulação dentro do Ciosp, considerado incompatível com a natureza assistencial do serviço e com a necessidade de sigilo das informações clínicas. Além disso, foi identificado que chamadas pelos números 192 e 193 não passam por sistema integrado, gerando duplicidade de ocorrências e envio simultâneo de equipes para o mesmo atendimento. O relatório ainda descreve condições inadequadas de trabalho, como espaços de repouso insuficientes, ambiente com infiltração e mofo, além da falta de manutenção. Também foi constatado que, das 10 unidades habilitadas, apenas 6 estavam em funcionamento, algumas sem atendimento 24 horas por falta de profissionais. As motos do Samu, por exemplo, estão inoperantes desde março. Durante as visitas técnicas, também foi identificado o sucateamento de veículos no pátio da base do bairro Coophema, enquanto a gestão aguarda autorização para o descarte, sem apresentar documentação do processo. Apesar do cenário de irregularidades, o governo federal sinaliza novos investimentos e chegada de novas ambulâncias até o final do mês de junho. Disposto a adotar medidas O governador Otaviano Pivetta esteve na reunião. Ele informou que uma reunião deve ser marcada nos próximos dias com representantes da categoria para avaliar a atual situação do Samu em Cuiabá e também a atuação do Corpo de Bombeiros no serviço.“Nós vamos decidir isso juntos”, declarou. Pivetta ressaltou que o Estado está disposto a adotar todas as medidas necessárias para garantir o funcionamento do Samu nos municípios mato-grossenses. Ele lembrou que o serviço foi criado pelo governo federal para ser executado pelas prefeituras, mas que, em Cuiabá, o governo estadual assumiu a responsabilidade após a gestão municipal não aderir ao programa em 2007. O governador também defendeu a atuação do Corpo de Bombeiros, afirmando que a corporação possui profissionais qualificados para prestar atendimento de urgência, assim como os servidores do Samu. “Nós não podemos deixar de reconhecer isso. Seria injusto”, afirmou. Por fim, o chefe do Executivo estadual reforçou que pretende ouvir os trabalhadores antes de qualquer definição e disse que busca soluções sem desperdício de recursos públicos. “Temos o dinheiro necessário para fazer o serviço bem feito. Com a colaboração de vocês, vamos fazer isso sem nenhum problema”, concluiu.
Por Gazeta Digital 28 de abril de 2026
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) anunciou, ao lado do presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), Max Russi (Pode), um pacote de medidas em redução de impostos que somarão a renúncia de R$ 500 milhões aos cofres públicos. A primeira medida será a adesão ao programa do governo federal para conceder apoio financeiro à importação de diesel, em uma tentativa de conter a alta dos preços do combustível no país. Segundo Pivetta, Mato Grosso concederá um subsídio de R$ 150 milhões. A medida surge em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio, que aumentaram os custos e trouxeram incertezas sobre o abastecimento. Outra medida será o congelamento do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), que segundo ele impactará em R$ 350 milhões na receita liquida do Estado. “Estamos falando de uma redução de impostos de mais ou menos meio bilhão esse ano”, disse nesta terça-feira (28). Os dois projetos foram protocolados e entregues pelo governador ao presidente da Assembleia, que garantiu que irá dar celeridade na sua tramitação e aprovação. O governador afirmou que no caso do subsidio para o óleo diesel, a população passará a sentir a diminuição do preço, e que haverá uma fiscalização para que a redução chegue ao consumidor direto nos postos de gasolina. Max Russi lembrou ainda que a proposta também poderá impedir mais aumento no óleo diesel, já que o mundo ainda vive a incerteza da guerra no Irã. “Essa medida foi acertada muito mais prevendo não aumentar o preço do combustível em virtude da guerra, tem uma possibilidade de aumento, e o governador para não aumentar está abrindo mão de receita para que esse aumento não aconteça”, explicou. O governador ainda afirmou que por conta da perda de R$ 500 milhões, haverá uma redução nos investimentos e obras de áreas que não são prioritárias. “Nós vamos diminuir alguns quilômetros de pavimentação, nós vamos diminuir os investimentos nas áreas que não são vitais, que não são prioritárias. Na saúde nós não vamos diminuir, na educação nós não vamos diminuir, na segurança nós não vamos diminuir. E certamente vão ser cortados investimentos que podem ser deixados para o ano que vem”, justificou.